Respiradores para Escape/Fuga

Existe um procedimento muito comum em algumas indústrias químicas, que se constitui na entrega de um kit contendo uma máscara que deve ser portada enquanto o trabalhador, ou um visitante, permanece dentro do estabelecimento. Os visitantes recebem algum tipo de treinamento, na portaria, com instruções de segurança e uso da máscara contida no kit. O treinamento pode ser através de um vídeo institucional, uma apresentação proferida pela própria área de segurança patrimonial da empresa, um folheto ou cartilha. 

O kit, comumente, está hermeticamente fechado e contém uma peça (semifacial, facial ou bocal com pinça nasal) providos de filtros para gases e/ou vapores.

Os portadores de tais equipamentos são orientados a abrir a embalagem somente em caso de emergência, e se forem alertados por pessoal responsável pelo atendimento àquela situação de risco. Os visitantes devem esperar um alerta dado por seu acompanhante.

O respirador contido no kit deve ser utilizado para fuga do ambiente perigoso. Essas emergências podem ocorrer devido a diversos motivos, como um vazamento de um produto químico perigoso, um incêndio ou outra circunstância na qual os ocupantes daquele espaço se deparam com uma situação inesperada, uma vez que o ambiente e os processos ali desenvolvidos estavam sob controle quando entraram.

Qualquer respirador aprovado pelo Ministério do Trabalho pode ser utilizado para fuga, em caso de emergência. Porém, alguns EPRs (Equipamentos de Proteção Respiratória) foram desenvolvidos, exclusivamente, para fuga. Entre os EPRs exclusivos para fuga, destaca-se o equipamento tipo bocal e pinça nasal.

O documento PPR da FUNDACENTRO define o respirador de fuga com as seguintes palavras:  equipamento de proteção respiratória para ser usado somente para a fuga de um ambiente perigoso. Portanto, esse tipo de equipamento possui essa limitação. Ele não pode ser utilizado para uso em qualquer operação ou atividade rotineira. Deve ser usado, apenas, para abandono da área de risco.  

Os respiradores filtrantes com peça semifacial, facial inteira e linha de ar comprimido com cilindro de fuga podem ser usados em operações normais de trabalho e, caso ocorra a emergência, o trabalhador poderá abandonar tranquilamente a área perigosa, mantendo o respirador na face. Com os respiradores filtrantes, o trabalhador estará protegido pela vedação da peça facial e a eficiência dos filtros utilizados. No caso da linha de ar, durante a fuga, o trabalhador também dependerá da vedação facial da peça utilizada e irá respirar o ar contido no cilindro de fuga.

Uma observação importante diz respeito a vedação facial. O documento da FUNDACENTRO define que respiradores com peças facial ou semifacial que requerem vedação facial devem ser submetidos a ensaio de vedação, mesmo quando utilizados somente para fuga. Essa descrição limita, ou torna impraticável, o uso desses equipamentos por visitantes. Os visitantes não são submetidos a ensaios de vedação quando recebem o estojo com a máscara na portaria.

Outros importantes cuidados devem ser tomados no uso de respiradores para fuga. Quando surge a emergência não dispomos de muito tempo para colocação do respirador na face. A seguir vamos destacar algumas dificuldades no uso de máscaras de fuga:

  • As máscaras devem estar sempre ao alcance das mãos do trabalhador. Não podem ser deixadas ou esquecidas na mesa de trabalho ou no espaço do café etc.
  • As máscaras de fuga ficam guardadas em um estojo, bolsa ou sacola, muitas vezes hermeticamente fechadas ou lacradas. É necessário que a abertura da embalagem seja fácil e não deve causar qualquer dificuldade de abertura e manipulação pelo usuário.
  • As máscaras devem estar prontas para o uso. Ou seja, os filtros devem estar corretamente instalados na peça seja ela semifacial, facial ou pinça nasal. Não há tempo para colocação dos filtros.
  • As máscaras devem estar sempre limpas, íntegras e devem ser regularmente inspecionadas.
  • Os usuários desses respiradores, além de ter informações, precisam saber o procedimento para colocação e verificação da vedação. As máscaras do tipo bocal com pinça nasal podem requerer alguma orientação especial sobre colocação e uso corretos.  
  • Os respiradores, bem como os filtros utilizados, têm que ser capazes de proteger os usuários para os cenários identificados nos planos de preparação para emergências. Por exemplo, no caso de vazamento de gases irritantes, não é possível utilizar respiradores do tipo bocal com pinça nasal, nem peças semifaciais, pois é necessário proteger também os olhos.
  • Os ocupantes do local onde ocorre uma emergência devem conhecer detalhes do plano de abandono e local de encontro.

Na próxima semana vamos contar um caso envolvendo um acidente fatal, em situação de emergência e uso de EPR.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *