Caso de Mau Uso de Máscaras de Fuga

Semana passada publicamos um artigo sobre o uso das máscaras de fuga. Nesta semana, vamos ilustrar o tema com um caso real de mau uso desse tipo de respirador.

O caso ocorreu em uma indústria situada em um complexo industrial com mais de 20 empresas de diversos segmentos de negócios. Todas as empresas desse complexo forneciam máscaras de fuga para seus trabalhadores e visitantes. As máscaras ficavam guardadas em estojos e deveriam ser utilizadas em caso de vazamento de gases, uma vez que um acidente dessa natureza poderia ocorrer em qualquer uma dessas empresas, e colocar em risco a saúde e a vida de todos os ocupantes da área.

Em uma dessas empresas, trabalhava um profissional muito experiente e prestativo, o qual tinha a fama de ser um rigoroso controlador das despesas sob sua responsabilidade. Na implementação do uso de respiradores de fuga ele foi informado que o simples fato de abrir o estojo, que continha o conjunto máscara e filtros, resultaria na contaminação dos filtros e a necessidade de troca por novos filtros. Ele achou essa orientação um absurdo, uma vez que a troca poderia ser feita a cada seis meses, se o estojo não fosse aberto. 

Prevendo um gasto excessivo devido a troca frequente de cartuchos decidiu lacrar, fechar hermeticamente, os estojos que continham as máscaras, usando para isso uma fita adesiva de difícil remoção.

O SESMT era próprio de cada empresa e, os técnicos e engenheiros de segurança das empresas do complexo industrial mantinham contatos frequentes. Eram realizadas reuniões mensais para discutir temas comuns, plano de auxílio mútuo para atendimento a emergências, conversavam e ponderavam sobre novas soluções para melhoria da segurança no trabalho etc. Alguns fabricantes de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) aproveitavam a oportunidade para apresentar suas novidades.

Em uma dessas reuniões, estavam presentes o profissional acima mencionado e um técnico de segurança de sua equipe. A reunião ocorreu em uma das empresas do complexo industrial e todos os participantes portavam, na cintura, o estojo com a máscara de fuga. No meio da reunião, soou a sirene do sistema de alarme indicando vazamento de gases.

Foi dado o aviso que todos deveriam evadir do local, utilizando sua máscara de fuga, em direção ao ponto de encontro previamente comunicado. O plano previa o resgate das pessoas que estivessem no ponto de encontro, por um ônibus, para levá-los a um lugar seguro, e distante do evento.

O profissional, personagem dessa história, e o técnico de segurança que o acompanhava, não conseguiram retirar o lacre, ou seja, a fita adesiva que cerrava o estojo. Felizmente, essa empresa estava preparada para uma situação dessa natureza e mantinha máscaras extras disponíveis para as pessoas que, porventura, não estivessem portando seu respirador.

A situação poderia ser trágica, mas se tornou hilária. Foram feitos vários comentários sobre os dois colegas tentando quebrar o estojo para retirar a máscara de dentro dele, atirando-o no chão, como faziam para quebrar um coco.

No artigo anterior, mencionamos vários cuidados que devem ser colocados em prática no uso de máscaras de fuga. Um deles, mencionava que a abertura da embalagem deveria ser fácil e não causar qualquer dificuldade para o acesso da máscara. Em situações como essa acima relatada, a pessoa não tem muito tempo disponível para colocar a máscara na face. Um colega, muito experiente, dizia a seguinte frase: “A melhor máscara de fuga se chama canela, perna para correr”. Claro que essa afirmação está fora do contexto dos dias atuais, mas ensina sobre a necessidade da urgência nessas ocasiões.

Convidamos a todos a compartilhar suas experiências, vividas ao longo de suas carreiras profissionais, envolvendo situações semelhantes.

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