Névoas e Neblinas Tóxicas

É muito comum confundir névoas ácidas com gases ácidos, e névoas ou neblinas alcalinas com vapores. Isso leva a resultados de avaliações não representativos da real exposição dos trabalhadores e a indicação de filtros em respiradores que não irão reter os contaminantes presentes, ou seja, não protegerão o trabalhador usuário de respirador.

Névoas e neblinas são particuladas, assim, em conjunto com as poeiras e fumos formam os denominados aerodispersóides nos ambientes, inclusive no ambiente de trabalho. A diferença fundamental entre as névoas e as neblinas está relacionada com a forma como são geradas. As névoas são formadas através da pulverização de um líquido e as neblinas pela condensação de partículas líquidas após terem sido evaporadas.

Muito parecido com a diferenciação entre as poeiras e fumos, as partículas de névoas são maiores que as partículas de neblinas. As dimensões das neblinas variam entre 30 e 60 µm, qualquer particulado líquido acima deste valor, seriam névoas.1

As névoas e neblinas geradas de soluções líquidas terão a mesma composição do líquido gerador. Se forem soluções a base de solventes orgânicos, a parte sólida da mistura formará aerossóis e a parte líquida pode ser vaporizada, misturando-se na atmosfera. Esses são os casos de alguns processos de pinturas em spray e de aplicação de agrotóxicos. Os pigmentos da tinta ou os agentes ativos dos agrotóxicos formam aerossóis e os solventes formam vapores.

Nos casos de soluções a base de água, pode ocorrer tanto a formação de névoas como neblinas. As gotículas que ficarão suspensas no ar terão a mesma composição da solução. Alguns processos que utilizam soluções ácidas ou alcalinas podem gerar névoas quando o líquido sofre algum tipo de agitação, e neblinas se for aquecido.

Pode ainda ocorrer a formação de névoas em líquidos borbulhantes pela geração de gases em seu interior. Esse é o caso do processo de carregamento elétrico das baterias automotivas. O líquido contém 30% de ácido sulfúrico dissolvido em água destilada. Quando se aplica a carga elétrica, há liberação gasosa de hidrogênio e oxigênio. Esses gases emanados levam consigo o líquido que contém o ácido sulfúrico. Com isso a atmosfera no entorno do processo fica altamente irritante, devida a presença de névoas de ácido sulfúrico.  

Exemplos de formação de neblinas alcalinas são os processos que utilizam soluções de soda cáustica aquecidos. Parte do líquido se evapora, contendo a solução de soda em água. Esse líquido, quando encontra na atmosfera em temperatura ambiente, volta ao estado líquido, gerando os particulados da solução contendo a soda cáustica.

A proteção respiratória para névoas e neblinas depende, como em todos os outros casos de uso de equipamentos de proteção respiratória (EPR), da composição do agente químico presente e sua concentração. Quando for fazer medições das concentrações, é importante conhecer o estado físico da matéria presente, se gasosos ou particulados, para que se utilize o coletor apropriado. A ACGIH®2 em sua publicação contendo os valores dos limites de exposição ocupacional, TLVs®, indica qual forma do contaminante presente pode causar os efeitos tóxicos mencionados na coluna Base do TLV®. 

Se aerossóis, ou aerodispersóides, o valor do limite de exposição está expresso em mg/m3.  Para alguns contaminantes atmosféricos, há um sobrescrito no valor do TLV® indicando que o contaminante pode estar na forma de particulados e vapores (FIV)3. Isso significa que se deve amostrar as duas formas, particulados e gasosos.

Por fim, a proteção respiratória. Depois de tudo que foi dito acima, está claro que filtros para particulados P1, P2, P3, PFF1, PFF2 e PFF3 podem ser utilizados para retenção tanto de névoas como neblinas. Suas dimensões, acima de 30 µm, são facilmente retidas por quaisquer desses meios filtrantes. Os impactos sobre a degradação do meio filtrante não devem ser superiores àqueles esperados para as poeiras. Se o líquido que compõe a mistura for um solvente orgânico, deve-se utilizar filtros combinados para particulados e vapores orgânicos.

Alguns cuidados devem ser tomados na seleção da cobertura facial utilizada. Algumas névoas, como as já citadas, ácidas e alcalinas, são altamente irritantes das mucosas; isso inclui irritação aos olhos. Nesses casos, deve-se proteger os olhos, com uso de óculos a prova de gases ou respiradores do tipo peça facial inteira. O uso de respiradores faciais é preferível, pois além de evitar a incompatibilidade no uso de EPIs conjugados, ainda aumenta o Fator de Proteção Atribuído (FPA) do equipamento de proteção respiratória.

1Página do “True mist” acessada em 16/09/2024 às 7h30.  
2ACGIH – American Conference of Governmental Industrial Hygienists
3FIV -Fase Inalação e Vapor

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