Considerando todos os agentes químicos que podem estar presentes em uma atmosfera onde há qualquer atividade humana, os gases são aqueles que provocam mais pânico e são os mais perigosos. Um vazamento de gás em um ambiente fechado pode ser fatal e levar a morte todas as pessoas confinadas naquele espaço. A concentração de gás no ar pode atingir valores muito perigosos, instantaneamente. Isso se deve a fugacidade do gás e a geração de misturas gasosas que podem ser explosivas, reativas, corrosivas e tóxicas, acima da concentração IPVS, Imediatamente Perigosa à Vida ou Saúde.

Tradicionalmente, profissionais de segurança e saúde, assim como outros profissionais de indústrias que estocam, processam ou manuseiam grandes quantidades de gases, estão sempre alertas para possíveis vazamentos. Há ainda produtos que reagem quimicamente ou que, sob influência de calor, podem emanar grandes quantidades de gases e provocar explosões.

Os gases podem ser nocivos à saúde, mesmo estando em pequenas quantidades. Esses gases podem ser gerados nos processos e podem se dispersar no ambiente de trabalho. Se inalados por operadores ou outros profissionais podem causar efeitos tóxicos importantes. Entre esses gases, podemos citar o gás cianídrico, HCN, que pode ser liberado a partir da acidificação de soluções contendo sais de cianetos; o formaldeído, que é liberado durante o processo de cura de resinas alquídicas, melamínicas e fenólicas; gases nitrosos gerados em explosões, ou a partir de reações com ácido nítrico etc. Todos os gases mencionados acima são muito tóxicos e podem causar sérios problemas de saúde ao trabalhador exposto.

Outro exemplo de gás perigoso é o monóxido de carbono. Importante não confundir monóxido com dióxido de carbono. Ambos são asfixiantes, ou seja, interferem na transferência de oxigênio do ar para as células do nosso corpo. Os dois gases são inodoros e incolores. A diferença fundamental é que o dióxido de carbono é inerte. Ele precisa estar presente em grandes concentrações, de modo a deslocar, ocupar o lugar do oxigênio, para provocar asfixia. O monóxido do carbono é um asfixiante químico. Ele reage com a hemoglobina, produzindo carboxiemoglobina, impedindo que o sangue leve para as células a quantidade de oxigênio necessária para manutenção de suas atividades. Os gases cloro e cloreto de hidrogênio, muitas vezes, são confundidos com névoas de hipoclorito de sódio ou ácido clorídrico. Isso dificulta a avaliação e indicação de medidas de controle, como é o uso de proteção respiratória.

Os filtros para gases são bem diferentes dos filtros para névoas, uma vez que as névoas são aerodispersóides em suspensão e os gases são moléculas misturadas no ar. Quanto ao tipo de respirador para gases, os respiradores do tipo linha de ar comprimido ou máscaras autônomas são as primeiras indicações. Isso se deve ao fato de que filtros de carvão ativado utilizados para retenção de vapores, dificilmente funcionarão para gases. Isso se deve a difusão gasosa. Os gases podem até interagir com as áreas internas do carvão, mas a força de interação é muito baixa e tendem a se deslocar. Assim, após pouco tempo de uso, os gases podem migrar para a parte interna da máscara, e entrar na zona respiratória do trabalhador.

Para aumentar essa interação dos gases com o carvão ativado, os fabricantes de respiradores fazem um tratamento químico para tornar o carvão reativo aos contaminantes gasosos presentes. Por se tratar de uma interação química, eles são específicos. Os filtros químicos mais utilizados são os filtros para gases ácidos. Nesse caso, o carvão é tratado com uma substância alcalina, que reage com os gases presentes no ambiente de trabalho. Existem ainda filtros com tratamento para retenção de amônia, formaldeído e monóxido de carbono. Esse último não retém o CO (monóxido de carbono), mas o transforma em CO2 (dióxido de carbono), que é bem menos tóxico.

Há ainda a preocupação com gases que reagem com a mucosa e causam irritações importantes. Por isso, muitas vezes é necessário o uso de um respirador facial ou óculos a prova de gases para proteção dos olhos.

Dúvidas? Consulte um especialista em proteção respiratória ou deixe aqui seu comentário.

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