A soldagem é muito comum em operações de reparo, manutenção e construção de estruturas metálicas. Há ainda as oficinas de fabricação de grades e portões espalhadas por vários pontos das cidades. Muitas vezes, o soldador é o próprio dono da oficina e o filho, o ajudante. Os fumos gerados nas operações da solda, ao atingir residências vizinhas, podem contaminar os seus moradores. Muitas atividades que envolvem soldagem não são rotineiras. Esse fato limita a avalição do risco, uma vez que não há tempo suficiente para medições das concentrações dos agentes químicos gerados.

Vários riscos são encontrados, como exposições a radiações do arco elétrico que podem afetar os olhos e a face do trabalhador, problemas ergonômicos, ruído e agentes químicos. Neste artigo, vamos nos concentrar nos problemas respiratórios e a proteção contra a inalação de agentes químicos perigosos.
A exposição dos trabalhadores a fumos de solda pode causar Irritação no trato respiratório, febre dos fumos metálicos, siderose, manganismo, câncer pulmonar, entre outras doenças graves. A febre dos fumos metálicos é uma condição que pode ser causada pela inalação de certos fumos metálicos como zinco, magnésio, níquel, cádmio e cobre. O quadro constitui-se de febre que começa quatro a dez horas após a exposição e um gosto metálico muito forte alterando o sabor dos alimentos ingeridos, irritação na garganta, tosse, falta de ar, fadiga e dores musculares.
É bem comum encontrarmos soldadores utilizando protetores faciais com filtros para radiações ultravioleta e radiações luminosas. Quando indagados sobre o uso de máscaras, muitos deles dizem que utilizam o protetor facial e pensam que esse tipo de equipamento protege também as vias respiratórias.
Soldadores mais conscientes utilizam respiradores, porém a seleção do equipamento limita-se aos modelos descartáveis com filtros da classe PFF2. Esse tipo de proteção respiratória atende a maioria das situações de exposição a fumos de solda, exceto quando o contaminante é considerado altamente tóxico, e requer o uso de filtros das classes P3 ou PFF3. Além dos fumos, existem outros contaminantes presentes como gases e vapores, para os quais são necessários filtros apropriados.
Situações mais críticas podem necessitar um tipo de proteção mais elevada como respiradores faciais, sistemas motorizados, linha de ar e máscaras autônomas. Essas últimas podem ser necessárias quando o trabalho é realizado em espaços confinados. Como as máscaras autônomas possuem um tempo limitado de uso, pode-se selecionar respiradores de linha de ar com cilindros para fuga. Vejam que há uma grande diversidade de soluções que podem ser adotadas para a exposição a fumos de solda. Um bom processo de análise e avaliação do risco irá indicar qual é a melhor solução para cada caso.
Para se assegurar a efetividade do uso de respiradores com peças faciais ou semifaciais deve ser feito ensaios de vedação facial. Há dois tipos de ensaios, qualitativo e quantitativo. O risco e o tipo de proteção utilizada determinarão qual ensaio é o mais adequado. Lembramos que os fumos de solda, por serem muito finos, podem ficar horas em suspensão. Portanto, mesmo após terminada a tarefa esses contaminantes atmosféricos continuam presentes no ambiente. Por isso, não só os soldadores, mas outros trabalhadores que trafegam pela área contaminada também devem utilizar proteção respiratória.
Um bom Programa de Proteção Respiratória abrange todas as situações de riscos, o controle da inalação de agentes químicos perigosos presentes na forma de fumos metálicos e os cuidados que se deve ter no uso da proteção respiratória. Esperamos que este artigo tenha ajudado a compreender como ocorre a exposição aos fumos metálicos e a necessidade de proteção nas atividades de solda.
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