Nos últimos artigos destacamos cada uma das formas como os contaminantes se apresentam dispersos ou misturados na atmosfera, podendo provocar danos à saúde do trabalhador exposto. Já tratamos das poeiras, fumos e névoas que são encontradas na forma de material particulado dispersos no ambiente de trabalho. No último artigo, falamos dos gases tóxicos, forma muito perigosa de exposição dos agentes químicos que se misturam no ar e podem atingir concentrações extremamente perigosas, podendo levar o trabalhador exposto a sérios comprometimentos da saúde e até a morte.

Neste artigo, vamos explorar os vapores. Parecidos com os gases, os vapores também se misturam com o ar. Sua dispersão se dá por meio de moléculas. Isso o torna muito fugaz, podendo se dispersar rapidamente. Dependendo de sua volatilidade, da quantidade do líquido que o origina e das condições atmosféricas, pode também atingir altas concentrações no ar ambiente.
Os materiais que geram vapores são líquidos ou sólidos, manuseados ou processados nas operações industriais, ou de serviços. Todas as matérias sólidas e líquidas geram vapores. A quantidade de material volatilizado depende fundamentalmente da pressão de vapor do material. Quanto maior a pressão de vapor, maior será a quantidade volatilizada. A pressão de vapor varia com a temperatura e pressão. Temperaturas altas e baixa pressão atmosférica geram maiores quantidades de vapor.
O vapor na atmosfera pode ser perigoso por vários motivos. Pode ser inflamável, explosivo, corrosivo, reativo e/ou tóxico. Neste artigo, vamos explorar as condições de toxicidade dos vapores. Essas condições estão relacionadas com as características químicas e toxicológicas do material que gerou o vapor. Os vapores, como todas as outras formas de agentes químicos presentes na atmosfera acima citadas, podem ser nocivos quando entram no corpo da pessoa exposta. Essa rota de entrada pode ser por ingestão, dérmica ou inalação. No meio industrial, a inalação é a que mais preocupa os profissionais de segurança e saúde.
Não devemos desprezar a importância da ingestão de materiais tóxicos quando se come ou bebe em um ambiente contaminado, nem a probabilidade de ingresso no corpo através da pele para certos produtos químicos que possuem essa propriedade. Isso deve ser assunto para outro artigo. Neste texto, vamos focar a rota de entrada via inalação.
Muitos vapores conseguem entrar no corpo e atingir a corrente sanguínea, inicialmente ingressando pelo sistema respiratório. Quando presentes na corrente sanguínea podem interagir e transformar as substâncias químicas presentes nas células. Isso pode ser nocivo à saúde do trabalhador. Eles podem atingir órgãos alvos, órgãos onde se evidencia o efeito nocivo e causar seus efeitos tóxicos imediatos, ou ainda se acumular nesses órgãos, causando efeitos a longo prazo.
Muitos vapores afetam as células do sistema nervoso central ou periférico. Isso pode ser muito perigoso, uma vez que a pessoa exposta pode perder sua capacidade de reação, de resposta a estímulos e, por causa disso, se expor a outros perigos presentes no ambiente de trabalho. Eles podem ainda afetar o funcionamento do fígado, rins, bexiga e até do sistema auditivo. Alguns vapores podem afetar as células auditivas. Isso é, quando inalado, pode chegar até essas células e causar perdas auditivas irreversíveis. Existem vários métodos para controle da presença de vapores no ar. Processos herméticos e um bom sistema de ventilação exaustora conseguem diminuir de forma significativa sua presença em ambientes industriais.
Quanto à proteção individual, vários tipos e modelos de equipamentos de proteção respiratória podem ser utilizados. Entre eles, os mais acessíveis são os respiradores filtrantes. Como o próprio nome diz, esses equipamentos dependem da disponibilidade de filtros capazes de reter esses materiais gasosos. Isso torna o processo de seleção um pouco mais difícil. Alguns fabricantes de respiradores disponibilizam informações sobre a existência de filtros capazes de reter produtos químicos específicos.
Outra dificuldade é quanto à capacidade de retenção dessas substâncias. Quanto maior a quantidade de agentes químicos no ar e a quantidade de ar inalado pelo trabalhador, menos tempo vai durar o filtro selecionado. Mais um ponto a ser considerado é a presença de outros vapores que concorram com os vapores nocivos na ocupação dos espaços internos do carvão ativado presente nos meios filtrantes dos respiradores, disponíveis para retenção de determinados vapores nocivos. Entre esses vapores, o mais comum é o vapor d’água. A água está presente na atmosfera em grandes quantidades. Segundo o Manual de Proteção Respiratória (1), o ar a 25 °C e 50% de umidade relativa contém 15000 ppm de vapor d’água. Toda essa quantidade de água compete com os vapores nocivos na ocupação dos sítios disponíveis para adsorção de vapores no carvão ativado.
Vimos, então, que não é fácil selecionar respiradores filtrantes para proteção dos trabalhadores a agentes químicos presentes no ambiente de trabalho na forma de vapores. Vimos também que é difícil prever o tempo de vida útil desses filtros, pois depende das concentrações dos vapores presentes e do nível de exigência física dos trabalhos desenvolvidos. Por isso, um bom conhecimento sobre o ambiente e sobre as atividades do trabalhador são fundamentais para a seleção de respiradores para proteção contra a inalação desses vapores.
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(1) M.Torloni; A.V.Vieira – Manual de Proteção Respiratória, 2003