No artigo anterior, apontamos os 10 erros comuns na realização dos ensaios de vedação qualitativos. Neste artigo, vamos abordar os ensaios de vedação quantitativos realizados com o PORTACOUNT.
PORTACOUNT é um equipamento fabricado pela empresa Norte-Americana TSI Incorporated e comercializado pela ALMONT Brasil. Ele faz a contagem do número de partículas existentes no ambiente de teste e realiza a mesma contagem no interior do respirador, em tempo real. A pessoa que é submetida ao ensaio deve utilizar um respirador do tipo semifacial ou facial com filtro da classe P3 ou PFF-3. Para ensaio de vedação nos respiradores do tipo Peça Semifacial Filtrante PFF-2, o PORTACOUNT possui um dispositivo para selecionar partículas, que devido suas dimensões tenham baixa penetração por essa classe de filtros para particulados. Dessa forma, minimiza-se a penetração através do meio filtrante.
A relação entre os valores de particulados presentes no ambiente de ensaio e presentes no interior da cobertura facial indica o fator de penetração através da vedação facial. Nesses ensaios, o Fator de Vedação esperado para uma peça semifacial é de, no mínimo, 100 e para uma peça facial inteira, no mínimo, 1000.
Os ensaios seguem um protocolo similar ao protocolo utilizado nos ensaios de vedação qualitativo. As principais diferenças são:
- Os exercícios requeridos para realização dos ensaios são os mesmos exercícios do ensaio de vedação qualitativo, acrescidos de um exercício, que pede a pessoa submetida ao ensaio sorrir e fazer caretas.
- Não há necessidade de uso de capuz, nem nebulizador. O equipamento utiliza as partículas presentes no próprio ambiente de teste e, se necessário, pode-se utilizar um nebulizador do próprio equipamento ou a geração de partículas pela chama de uma vela.
- A resposta da penetração é feita através da medição do número de partículas, portanto não é necessário que a pessoa submetida ao ensaio indique a presença de cheiro ou gosto de alguma substância química.
- A verificação da vedação do respirador pelo usuário pode ser feita através de resultados de penetração medidos em tempo real, possibilitando possíveis ajustes antes da realização do ensaio.
- É possível realizar o ensaio com peças faciais inteiras que possuem Fator de Proteção Atribuído igual a 100.
Nos dois tipos de ensaios de vedação, qualitativos e quantitativos, o conforto do usuário deve ser avaliado. Deve ser dada a oportunidade para avaliar mais de um modelo de EPR. Isso pode ajudar no processo de seleção. Em grande parte das situações de uso de respiradores, o tempo de não uso pode ser crítico para a proteção global do trabalhador. Um EPR que não é usado durante todo o tempo em que o trabalhador se encontre na área de risco pode ser inefetivo.
A seguir, vamos elencar alguns erros comuns cometidos pelo condutor do ensaio de vedação quantitativo no uso do PORTACOUNT:
- Não respeitar o tempo de 60 segundos para cada exercício. A única exceção é o exercício que pede para fazer careta.
- Realizar ensaios em áreas de produção inapropriadas para esse trabalho.
- Utilizar filtros que não sejam da classe P3 para particulados.
- Não verificar se o candidato a uso de EPR sabe fazer os testes de verificação da vedação, a inspeção diária, e entende o objetivo do ensaio.
- Realizar ensaios de vedação facial em trabalhadores que não passaram pela avaliação médica. Isso acontece, frequentemente, quando a empresa se encontra em paradas para manutenção ou se trata de contratação temporária.
- Realizar os ensaios com um respirador diferente daquele utilizado pelo trabalhador. Muitas vezes, a empresa entrega um equipamento novo para ser utilizado apenas durante o ensaio. O respirador usado no dia a dia pode estar em péssimas condições.
Esperamos que esse artigo tenha sido útil e adicionado informações importantes ao seu trabalho com a Proteção Respiratória e o PPR.