Ensaios Qualitativos de Vedação Facial – 10 Erros Comuns

Neste artigo vamos trabalhar um tema que requer muita atenção, os ensaios de vedação facial. Eles podem ser qualitativos ou quantitativos e são fundamentais para a eficácia da proteção do trabalhador que utiliza respiradores com peças faciais ou semifaciais.

 Outros cuidados também são necessários para obter essa eficácia, como avaliação médica, seleção do respirador adequado ao risco, manutenção e limpeza periódicas do respirador, e todos os itens que devem compor um bom Programa de Proteção Respiratória, PPR.

Segundo o documento da FUNDACENTRO, o ensaio de vedação deve ser conduzido por uma pessoa competente, bem-preparada e experiente. Em alguns países da Europa, há um processo de certificação dos profissionais que conduzem o ensaio de vedação facial.

Vamos focar este artigo nos Ensaios Qualitativos. Antes de qualquer ação, o candidato ao uso de um respirador deve passar por uma avaliação médica. Essa avaliação objetiva verificar se sua condição de saúde permite que utilize um respirador. Isso é muito importante para se prevenir contra problemas de saúde durante o ensaio e/ou durante o uso do respirador na área de risco.

Outro passo importante é que esse trabalhador, candidato ao uso de um respirador, passe por um treinamento contendo informações sobre os contaminantes existentes no local de trabalho, identificação dos perigos respiratórios aos quais estará exposto, os riscos à sua saúde provocados pelo não uso ou uso de forma inadequada dos EPRs, as limitações dos respiradores e filtros, e as necessidades de inspeções diárias, manutenção e guarda. 

Para verificar se o trabalhador está bem-informado, treinado e capacitado para o uso do respirador, o condutor do ensaio deve solicitar que ele realize uma inspeção no equipamento e faça a verificação da vedação conforme indicada pelo fabricante do respirador. Se perceber alguma dificuldade do trabalhador na colocação ou checagens do equipamento ou da vedação, o condutor do ensaio deve instruir o trabalhador sobre como realizar esses procedimentos.

Após esses passos iniciais, pode-se iniciar o ensaio. Os ensaios qualitativos são compostos por sete exercícios, os quais devem ser realizados pelo trabalhador, de acordo com protocolo definido no documento da FUNDACENTRO. 

Por serem subjetivos e dependerem da percepção do sabor do produto utilizado no ensaio, antes de colocar o respirador na face o trabalhador deverá ser submetido a um teste de sensibilidade. Para que esse teste seja possível, o palato da pessoa submetida ao ensaio deve estar isento de sabores. Por isso, não deve ter se alimentado, nem tomado café, ingerido balas ou outros açucares por, no mínimo, 15 minutos antes dos ensaios.

Durante o teste de sensibilidade, o qual pode ser com uma substância doce (sacarina) ou amarga (Bitrex) deve-se fazer perguntas abertas, tais como: “Você sente algum gosto na boca?”. Não se deve induzir, perguntando se ele sente um gosto doce ou amargo. Após esse teste inicial, deve-se solicitar que enxague a boca com água e lave o rosto.

A colocação do capuz é obrigatória, para evitar interferências externas e para obter e manter a concentração da substância utilizada nos níveis requeridos no protocolo.  Se o trabalhador utiliza outros EPIs como óculos e protetores auditivos, além do respirador, ele deve trazê-los e colocá-los para que o ensaio seja realizado em condições mais próximas possíveis do uso real.

Muito cuidado com a substância utilizada no ensaio. Não se deve improvisar, por exemplo, usar adoçante ao invés da sacarina sódica recomendada no protocolo estabelecido pela FUNDACENTRO. O ensaio deve ser realizado em uma sala bem-ventilada, com disponibilidade de água potável, pia, papel toalha e espelho para que o trabalhador possa verificar se o respirador foi colocado de forma correta em seu rosto.

De acordo com a nossa experiência, os condutores de ensaios de vedação cometem 10 erros comuns durante a realização desses ensaios:

  1. Não conhecem o PPR da empresa.
  2. Realizam os ensaios em locais inadequados como: copa, oficinas e salas de controle.
  3. Não apertam completamente a pera do nebulizador, gerando quantidade insuficiente de névoa dentro do capuz.
  4. Não utilizam o capuz para realizar o ensaio.
  5. Realizam ensaios de vedação em peças faciais que são utilizadas em situações que requerem FPMR (Fator de Proteção Mínimo Requerido) maior que 10.
  6. Deixam de realizar todos os exercícios, sem atentar para o tempo, de cada um deles, requerido no protocolo.
  7. Perguntam se o candidato sentiu o cheiro da substância, quando ele deve sentir o sabor.
  8. Realizam ensaios de vedação em trabalhador com pelos faciais.
  9. Realizam vários ensaios de vedação ao mesmo tempo.
  10. Utilizam adoçantes no lugar da sacarina sódica requerida no protocolo.

Vários fabricantes de equipamentos de proteção respiratória disponibilizam, na internet, vídeos explicando a maneira correta para realização dos ensaios de vedação. O documento da Fundacentro, no anexo 11, tem todas as informações necessárias para realização desses ensaios. Os equipamentos utilizados para os ensaios, quando comercializados, também trazem uma bula contendo as informações necessárias para o seu uso de forma correta.

Lembre-se que o respirador é a última barreira entre o trabalhador e o risco existente no ambiente de trabalho. Para que desempenhe corretamente a proteção é necessário que possua uma boa vedação na face do usuário.

Esperamos que esse artigo seja útil ao seu trabalho e atividade.

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