CASOS – Seleção de Filtros Incorretas

Como mencionado nos artigos anteriores, os filtros para particulados e os filtros para gases e vapores utilizados em equipamentos de proteção respiratória são bem diferentes. Essa diferença está relacionada a tecnologia de filtração. A tecnologia para retenção de partículas depende da interação desse material, suspenso na atmosfera, com a superfície das microfibras, que compõem o meio filtrante. A retenção de gases e vapores ocorre pela adsorção das moléculas das substâncias gasosas nos interstícios internos do carvão ativado. Por isso, um filtro para particulados não retém gases e vapores, e o inverso também é verdadeiro.

No artigo desta semana, vamos abordar situações reais de campo onde houve a exposição dos trabalhadores a agentes químicos presentes no ambiente de trabalho devido a seleção errada do filtro.

CASO 1. Ocorreu em uma planta química durante uma parada para manutenção. Em operação normal, utilizava-se respiradores do tipo meia peça facial com cartuchos para gases e vapores. Durante a operação de manutenção, formavam-se poeiras decorrentes das operações de desbastes, lixamento e limpeza. Sem que atentassem para esse fato, os trabalhadores utilizaram os mesmos respiradores da operação rotineira, ou seja, peça semifacial com filtros para gases e vapores.

Apesar de perceberem o desconforto causado pela inalação de particulados, os trabalhadores não reclamaram e continuaram utilizando filtros inadequados para os contaminantes presentes no ambiente de trabalho, no período de parada de manutenção. O técnico de segurança no trabalho constatou o equívoco e substituiu os filtros por filtros para particulados P2.

CASO 2. Em uma empresa onde havia várias unidades com diferentes contaminantes atmosféricos dentro da mesma planta industrial. Um dos contaminantes era ácido sulfúrico, na forma de névoas. Alguns operadores reclamaram que sentiram irritação na parte superior do trato respiratório, apresentaram tosse e outros sintomas característicos da inalação de substância irritante. Eles utilizavam respiradores do tipo peça semifacial com filtros para gases ácidos e óculos de ampla visão. Inicialmente, pensaram que os óculos de ampla visão interferiam na vedação da peça semifacial.

Depois, tentaram substituir os filtros com mais regularidade, a cada dois dias, e o problema continuava. Finalmente, identificaram que o problema estava relacionado com os filtros, pois utilizavam cartuchos para gases ácidos que não são eficazes para os particulados de névoas ácidas presentes no ambiente. Substituíram os cartuchos por filtros P2 e o problema foi resolvido. É comum esse tipo de erro, acreditar que cartuchos para gases ácidos podem ser utilizados para todos os contaminantes atmosféricos de natureza ácida, sem levar em consideração a forma como estão presentes no ambiente.

CASO 3. Em uma lavanderia, havia dois trabalhadores utilizando respiradores semifaciais sem filtro. Utilizavam apenas a peça semifacial e pensavam estar protegidos contra a inalação de percloroetileno, substância muito utilizada nesse tipo de operação. Quando perguntado por que utilizavam a máscara sem os filtros, o trabalhador disse que tinha filtros, mas retiraram porque era muito difícil respirar quando os filtros estavam colocados.

CASO 4. Ocorreu em uma empresa que prestava serviços de pintura industrial. Todos os trabalhadores utilizavam máscara do tipo meia peça facial com cartuchos para vapores orgânicos combinados com filtros para particulados da classe P2. Apesar da grande resistência a passagem do ar provocado por essa combinação de filtros, os trabalhadores aceitavam bem o uso desses respiradores, sem restrições, pois o ambiente era aberto e bem ventilado.

Por decisão do pessoal de suprimentos da empresa, esses equipamentos de proteção respiratória foram substituídos por respiradores do tipo peça semifacial filtrante com filtros PFF2 para particulados e uma camada de carvão ativado para baixas concentrações de vapores orgânicos. As vantagens desse tipo de proteção respiratória eram serem mais leves, mais compactas e seus custos mais baixos. Os trabalhadores aprovaram a mudança, e começaram a utilizar esses respiradores. Porém, após poucas horas de uso, sentiam o cheiro do contaminante.

O técnico de segurança pediu que ajustassem melhor a vedação, mas eles continuavam sentindo o cheiro do produto químico. Então, perceberam que esse tipo de equipamento não era viável, pois a quantidade de carvão ativado presente era muito pequena e saturava rapidamente, o que obrigava o trabalhador realizar a troca da máscara várias vezes ao dia. Isso tornaria o custo da proteção respiratória muito alto na empresa.

Gostou dos relatos? Colabore conosco contando outros casos ocorridos em empresas onde você trabalha ou presta serviços de SST.

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