Conforme foi exposto no artigo da semana passada, os filtros para particulados são chamados de filtros mecânicos. Esse termo não faz muito sentido, mas será encontrado em várias literaturas sobre filtros para poeiras, névoas e fumos.
Os particulados em suspensão no ar são chamados de aerossóis ou aerodispersóides. A diferença fundamental entre esses contaminantes e os gasosos é que eles ficam em suspensão no ar enquanto os gasosos se misturam na massa gasosa. Os gasosos só podem ser vistos se possuírem uma coloração diferente. Os particulados podem ser vistos por meio de um microscópio ou quando observamos um feixe de luz branca no ar. Se estivermos posicionados perpendicularmente ao feixe de luz, podemos ver as partículas em suspensão.
Os filtros para particulados são baseados em tecnologias completamente diferentes das tecnologias utilizadas em filtros para gases e vapores. Por exemplo, filtros de carvão ativado utilizados para retenção de agentes químicos gasosos são ineficientes para a retenção de material particulado. O inverso também é verdadeiro, filtros para particulados são ineficientes para a retenção de gases e vapores. Por isso, é muito importante conhecer a forma física dos contaminantes atmosféricos presentes no ambiente de trabalho, para poder escolher adequadamente o meio filtrante.
Geralmente, os filtros para particulados são constituídos por microfibras sintéticas distribuídas aleatoriamente em uma manta não tecida. A retenção do material particulado se dá na superfície da fibra e não nos espaços entre uma e outra fibra, como uma peneira. A deposição da partícula sobre a fibra ocorre por quatro mecanismos principais, são eles: interceptação direta, inércia, difusão e atração eletrostática.

e seleção de respiradores para uso em mineradoras (2007).
Esses mecanismos funcionam muito bem para poeiras, névoas e fumos, independentemente das características químicas ou biológicas do aerossol. Porém, uma parte dos aerossóis presentes passam pelo meio filtrante. Por essa razão, a classificação dos filtros para particulados é feita conforme a penetração de um aerossol, gerado em laboratório, através do filtro. Quanto menor a penetração, maior a eficiência do meio filtrante. Os ensaios de laboratório para classificação dos filtros seguem padrões de fluxo de passagem, tamanho de partículas e características físico-químicas do aerossol. No Brasil, os filtros são classificados como P1, P2 e P3 quando utilizados em respiradores com filtros recambiáveis, e PFF1, PFF2 e PFF3 para as peças semifaciais filtrantes.
Quanto a seleção do filtro mais adequado ao contaminante particulado presente no ambiente de trabalho devemos seguir as recomendações da FUNDACENTRO, que são as seguintes:
- Se o agente químico estiver na forma de poeiras, qualquer filtro aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego pode ser selecionado. Existe uma limitação maior para os filtros P1 e PFF1, pois só podem ser utilizados em peças semifaciais e o FPA – Fator de Proteção Atribuído para esse tipo de equipamento de proteção respiratória com essa classe de filtro é 5.
- Se o agente estiver na forma de fumos, deve-se utilizar filtros P2, P3, PFF2 ou PFF3. A cobertura facial utilizada vai determinar o FPA do equipamento.
- Se o agente for altamente tóxico ou radionuclídeos deve-se utilizar filtros P3 ou PFF3. Nesse caso, recomenda-se o uso de respiradores com FPA igual a 100 ou 1000.
De uma maneira geral, a degradação dos filtros para particulados é lenta, e não se espera que ela ocorra durante sua vida útil. Os respiradores tipo peças faciais filtrantes são descartados após um curto período de uso, pois perdem a integridade física e, consequentemente, a vedação facial. Isso ocorre antes da degradação do filtro. Nos respiradores de filtros recambiáveis, a vida útil é mais longa, uma vez que o filtro está protegido na parte externa pelo adaptador e na parte interna pelas válvulas de inalação que impedem a passagem do ar exalado pelo meio filtrante.
Porém, há uma situação especial que pode provocar a rápida degradação das cargas eletrostáticas. Isso pode ocorrer na presença de substâncias oleosas. As partículas oleosas, quando em contato com as fibras, se espalham por sua superfície e podem diminuir a eficiência da captura eletrostática. Os fabricantes de respiradores desenvolveram filtros que tem esse efeito reduzido. Esses filtros são submetidos a um ensaio adicional, que utiliza uma substância oleosa como aerossol de teste e recebem uma classificação diferenciada. É acrescentada a sigla SL após a indicação da classe do filtro.
Um último alerta importante: tanto os filtros para particulados como os filtros para gases e vapores não podem ser recuperados. Não há maneira segura de limpar os filtros. Algumas vezes, ouvimos pessoas dizendo que passam ar comprimido nos filtros e eles ficam limpos novamente. Primeiramente, essa aparente limpeza é superficial. Somente a parte externa do filtro ganha essa aparência de estar limpo, mas a filtração ocorre em toda a espessura do meio filtrante. Segundo, a manta do filtro é feita de fibras não tecidas que, com a passagem do jato de ar, podem ser deslocadas, promovendo grandes aberturas entre elas e facilitando a passagem dos contaminantes.
Gostou do artigo? Deixe sua opinião. Nas próximas semanas vamos contar casos de uso e mau uso de filtros utilizados em respiradores e alguns exemplos de seleção de filtros.