Poeiras Tóxicas

Antigamente, a inalação de poeiras tóxicas não estava entre as principais preocupações do profissional de segurança e saúde na indústria. Esses profissionais estavam mais preocupados com a presença de gases e vapores tóxicos. O perigo das poeiras era negligenciado. Por isso, muitos trabalhadores se expuseram a poeiras contendo sílica cristalina, asbesto e outras substâncias perigosas. O resultado dessas exposições foi o advento de uma epidemia de pneumoconioses, entre elas a silicose e a asbestose.

A partir de então, empresas de produtos de material cerâmico, porcelana, fundições, freios e embreagens de automóveis começaram a investigar melhor a presença desses aerodispersóides nos ambientes de trabalho.
A inalação de poeiras pode causar diversas doenças ocupacionais, que vão além das pneumoconioses conhecidas. Existem efeitos tóxicos sistêmicos, como danos aos rins, fígado e outros sistemas orgânicos associados a esses contaminantes atmosféricos.

A NR-15 estabelece limites de tolerância somente para poeiras minerais contendo asbesto, manganês e sílica livre cristalina. A ACGIH® adota e publica valores de limites de exposição ocupacional, TLVs®, para mais de uma centena de produtos químicos que podem estar presentes no ambiente de trabalho na forma de poeiras.

A geração de poeiras se dá pelo manuseio ou manipulação de matéria na forma de pós finos; usinagem, desbaste ou lixamento de peças sólidas; movimentação e transporte de materiais pulverulentos, entre outras fontes. A constituição química desses materiais pode ser de origem mineral ou orgânica.

A ACGIH classifica as poeiras de acordo com suas dimensões e locais de deposição no pulmão onde causam o efeito tóxico. Assim, as poeiras respiráveis são aquelas que oferecem riscos quando depositadas na região de troca gasosa. Materiais particulados torácicos são aqueles que oferecem riscos quando depositados em qualquer parte do interior das vias aéreas e na região de troca gasosa. E, por fim, materiais particulados inaláveis são aqueles que oferecem riscos quando depositados em qualquer parte do trato respiratório. Esse critério para seleção de tamanho de partículas aparece como notação em diversos aerodispersóides, e direciona a maneira como o higienista faz a amostragem desses materiais no ambiente de trabalho.

O principal efeito à saúde causado pela inalação de sílica livre cristalina, presente no mineral quartzo, é a silicose. A silicose é um tipo de pneumoconiose que causa fibrose pulmonar e câncer. Somente particulados que chegam até a região dos alvéolos e ali se depositam podem causar esse dano. O valor do TLV® para 8 horas de exposição a sílica livre cristalina é muito baixo, 0,025 mg/m3(R). Esta letra (R) entre parêntesis, como sobre escrito após o valor do TLV® indica que somente a fração respirável da poeira deve ser considerada na amostragem e avaliação da exposição ocupacional. Para isso, utiliza-se um ciclone específico para que sejam amostradas apenas os particulados com essas características. Poeiras de sílica cristalina que se depositam em outras partes do trato respiratório não causam fibrose nem câncer.

Esse mesmo raciocínio deve ser utilizado nas amostragens de material particulado torácico e inalável. Para cada fração de tamanho de particulados deve ser utilizado um ciclone próprio. Isso é, existem ciclones para a fração inalável, para a fração torácica e para a fração respirável. Cada um deles possui características diferentes.

Como já mencionado, a ACGIH® adotou TLVs® para mais de uma centena de particulados. Porém, sabemos que as poeiras podem conter milhares de composições diferentes.

Existem muitos particulados insolúveis de baixa toxicidade, para os quais nenhum valor de TLV® foi adotado. A ACGIH® acredita que mesmo os particulados biologicamente inertes, insolúveis ou de baixa solubilidade, podem apresentar efeitos adversos e sugere que as concentrações no ar sejam mantidas abaixo de 3 mg/m3 para partículas respiráveis e 10 mg/m3 para partículas totais, até que um TLV® seja estabelecido para a substância específica. Existem critérios bem definidos para esses particulados, que a ACGIH® chama de PNOS – Particulados (insolúveis ou de baixa solubilidade) Não Especificadas de Outra Maneira.

Quanto ao tipo de proteção respiratória a se utilizar para poeiras, pode se utilizar respiradores filtrantes, não motorizados, motorizados e linha de ar comprimido. No caso de respiradores filtrantes, pode se usar filtros para particulados das classes P1, P2, P3, PFF1, PFF2 e PFF3 respeitadas as limitações das coberturas faciais e dos meios filtrantes.

Considerando que o diâmetro médio aerodinâmico das poeiras é superior a 1 µm, entende-se que um filtro da classe P1e PFF1 é eficiente para retenção desses aerodispersóides. Os filtros de categoria superior, ou seja P2 ou P3 e seus equivalentes nas peças semifaciais filtrantes, devem ser selecionados nos casos em que partículas de pequenas dimensões, como as partículas respiráveis, sejam a maior preocupação. Outro fator que pode levar a seleção de um filtro de maior eficiência é a presença de contaminantes altamente tóxicos. Nesse caso, aconselha-se o uso de um equipamento de proteção respiratória que tenha um fator de proteção atribuído maior que 5, e quando possível, maior que 10.

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