Em várias situações de trabalho, o usuário de um EPR precisa utilizar óculos de proteção. O uso de vários EPIs pelo trabalhador pode causar muito desconforto e comprometer a eficiência do EPR.
Nas últimas semanas temos abordado os itens do PPR (Programa de Proteção Respiratória) relacionados ao processo de seleção de EPR (Equipamento de Proteção Respiratória). Esse processo divide-se em quatro enfoques, são eles: adequação à exposição, adequação à tarefa, adequação ao usuário e adequação ao ambiente de trabalho.
Para avaliar a adequação do EPR ao usuário é necessário verificar a vedação, as características faciais, a presença de pelos faciais, o uso simultâneo de outros EPIs ou acessórios, a visão e o conforto. Todos esses diferentes temas foram tratados em artigos já publicados por nós, exceto o tema visão. Por essa razão, vamos analisar como a visão pode ser afetada pelo uso de um EPR.

Primeiramente, vamos tratar do caso de um trabalhador ou trabalhadora que necessite o uso de lentes corretivas durante a execução de suas atividades laborais. Importante observar que os diversos ambientes industriais e de serviços podem estar contaminados com agentes químicos nas formas gasosas ou aerodispersóides, o que afetam as lentes de contato, seja por sua composição química ou devido ao acúmulo de particulados, que podem prejudicar ou causar desconfortos a quem utilize esse tipo de lentes corretivas. Portanto, o uso de lentes de contato deve ser rigorosamente avaliado para assegurar que não existam riscos em seu uso.
A opção para quem necessite o uso de lentes corretivas é o uso de óculos convencionais. Porém, esses podem causar grande dificuldade no uso do EPR, prejudicando a vedação da peça facial no rosto do trabalhador. Óculos com hastes rígidas, apoiados nas orelhas certamente interferem na vedação do EPR que utilize peça facial inteira. Outro ponto que requer uma avaliação cuidadosa na seleção de uma peça facial inteira é o campo de visão.
O campo visual de um EPR que utilize peças faciais inteiras é de extrema importância, sendo um item avaliado no processo de aprovação desse tipo de cobertura facial. Mesmo sendo aprovado em laboratório, esse item deve ser avaliado para se verificar a adequação do EPR ao usuário e às tarefas que ele realiza. No caso de peças semifaciais, essa interferência deve ser avaliada durante o ensaio de vedação facial.
Em várias situações de trabalho, o usuário de um EPR precisa utilizar óculos de proteção. O uso de vários EPIs (Equipamento de Proteção Individual) pelo trabalhador pode causar muito desconforto. No caso específico de óculos de segurança e peças semifaciais pode ser ainda mais difícil. Além do desconforto, há a possibilidade de haver problemas de vedação com um ou outro equipamento, ou seja, o EPR afetar a vedação dos óculos ou vice-versa. Novamente uma avaliação cuidadosa é necessária para fazer essas verificações.


Temos sempre sugerido que se use o tempo dedicado aos ensaios de vedação facial, obrigatório para seleção do EPR e repetido anualmente, para realizar essas verificações.
Se bem realizados, esses ensaios permitem descobertas surpreendentes, como: uso de peças faciais faltando válvulas de exalação; adaptações malfeitas para possibilitar uso concomitante de vários EPIs; trabalhador com pelos faciais; problemas de saúde do trabalhador que impedem o uso de um EPR etc.
Na tabela Lista de Verificações para Ensaio de Vedação em Usuários de EPRs, apresentamos uma relação de pontos a serem verificados durante a condução do Ensaio de Vedação. Com estas questões o condutor do teste poderá se certificar de que o uso do EPR e do EPI visual está sendo feito de maneira eficiente e com um nível de proteção adequado.
Gostou deste artigo? Esperamos que tenha sido útil para você. Na próxima semana, voltaremos com mais um novo artigo desta série: Adequação do EPR ao Usuário. Até lá!


