Nesta nova série de artigos apresentaremos os outros perigos do ambiente de trabalho que podem afetar o uso e a eficácia do EPR, as condições climáticas e as partículas volantes incandescentes.
Já abordamos, em mais de um artigo, a prevenção das exposições dos trabalhadores a agentes químicos presentes no ambiente de trabalho que requerem o uso de um EPR (Equipamento de Proteção Respiratória). No processo de seleção de um EPR, temos que considerar que pode haver outros riscos no ambiente de trabalho não diretamente relacionados com a inalação de substâncias químicas ou biológicas nocivas.
Existem também outros perigos que podem afetar o uso e a eficácia do EPR. Entre esses riscos não respiratórios, os mais importantes são as condições climáticas extremas e partículas volantes incandescentes. As condições climáticas extremas podem ocorrer por causas naturais como, por exemplo, trabalhos ao ar livre com temperaturas muito frias ou quentes na presença de radiações solares.

Um bom exemplo desse tipo de exposição ao calor ocorre nos trabalhos agrícolas, a céu aberto. O uso de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) como roupas, óculos, botas e EPR são percebidos como altamente desconfortáveis pelo trabalhador nesses trabalhos extenuantes característicos da agricultura.
As condições às quais esses trabalhadores estão submetidos devem ser consideradas no processo de seleção do EPR, para que seja utilizado equipamentos que não incrementem demasiadamente o estresse e a sobrecarga fisiológica por calor. Situações semelhantes podem ocorrer em áreas internas na presença de fontes de calor, como fornos, estufas e outras máquinas térmicas. A propagação dessa energia por convecção ou irradiação pode afetar o trabalhador e o funcionamento do EPR.
O frio também pode ser um problema em áreas externas, durante inverno rigoroso, para trabalhadores de mineração a céu aberto e agricultores. Em áreas internas, existem muitas exposições climáticas a baixas temperaturas em indústrias de abates e processamento de carnes, aves, ovos e outros produtos. Há ainda trabalhos em câmaras frigoríficas que submetem os trabalhadores a exposições consideradas perigosas.
Os EPRs que utilizam ar mandado ou máscaras autônomas podem ter seu desempenho afetado em ambientes muito frios. O ar frio pode fazer com que a umidade presente nas mangueiras ou nas válvulas congele, comprometendo o fluxo de ar e, até, bloqueando completamente a sua passagem. Além disso, o ar muito frio que chega ao rosto do trabalhador pode causar desconforto e reduzir o tempo de uso seguro do equipamento.

Já nos EPRs filtrantes com filtros para particulados ou cartuchos para gases e vapores, o frio intenso não interfere diretamente no funcionamento das válvulas de inalação e exalação. No caso das Peças Faciais Filtrantes (PFF) sem válvula de exalação, o ar exalado pode manter o interior da peça mais aquecido, promovendo uma sensação de conforto ao usuário. No entanto, em ambientes com alta umidade, os filtros podem reter mais vapor de água, o que reduz a sua vida útil, exigindo substituição mais frequente para garantir a proteção adequada.
E quanto as partículas volantes incandescentes, como fagulhas, respingos de solda ou partículas quentes de esmerilhamento, que se desprendem durante atividades industriais? Estas representam um risco físico direto aos EPRs. As partículas volantes incandescentes podem atingir o EPR e causar danos físicos às suas partes externas, especialmente nas PFFs.

Quando uma fagulha atinge a superfície do respirador, pode queimar o material filtrante ou derreter a camada externa, criando pequenos furos ou deformações que comprometem a vedação e a eficiência de filtração. Mesmo danos aparentemente pequenos podem permitir a entrada de contaminantes, reduzindo a proteção oferecida ao trabalhador. Além disso, as partículas incandescentes podem atingir válvulas de inalação e exalação, deformando e prejudicando seu fechamento adequado. Isso aumenta o risco de vazamentos de ar contaminado para o interior da máscara.

Gostou deste artigo? Esperamos que tenha sido útil para você. Nas próximas semanas, vamos aprofundar um pouco mais nesses temas relacionados com outros riscos respiratórios existentes nos ambientes de trabalho. Até lá!
