Vida Útil dos Filtros – Adequação do EPR à Tarefa

Os Equipamentos de Proteção Respiratória (EPR) do tipo filtrante são classificados de acordo com a eficiência e a capacidade dos filtros para reter os contaminantes e purificar o ar presente no ambiente de trabalho, o qual será inalado pelo trabalhador. Os meios filtrantes são constituídos por fibras não tecidas, por material adsorvente ou por material absorvente, dependendo das características físico-químicas dos contaminantes atmosféricos para os quais o tipo de filtro é indicado.

A seleção do filtro adequado é crucial para assegurar a proteção do trabalhador. Caso um meio filtrante seja selecionado incorretamente, ele permitirá a passagem do agente químico nocivo podendo causar danos à saúde do trabalhador. Além de ser adequado é fundamental que o meio filtrante tenha capacidade de reter contaminantes específicos presentes no ambiente durante todo o período no qual o trabalhador estiver exposto.

Os filtros para particulados podem saturar e dificultar a passagem do ar, provocando incômodo ao usuário devido ao aumento da resistência a respiração. Esse aumento da resistência a passagem do ar pode também aumentar o vazamento pela deficiência de vedação facial.

Os filtros para gases e vapores são constituídos por material adsorvente ou absorvente, responsáveis pela retenção de contaminantes na forma gasosa. Quando o material satura, ele permite a passagem do contaminante colocando em risco a saúde do trabalhador.

A saturação de filtros para gases e vapores depende de vários fatores:

  • Natureza do Contaminante

A afinidade do contaminante atmosférico com o carvão ativado (adsorvente mais comumente utilizado para essa finalidade) varia de acordo com as características do carvão e as propriedades do composto químico presente no ambiente. Algumas empresas produtoras de EPRs disponibilizam informações que possibilitam o cálculo do tempo de vida útil do filtro.

  • Concentração

Os níveis de concentração dos contaminantes presentes no ambiente de trabalho influenciam diretamente a capacidade e tempo de uso do filtro para gases e vapores. Quanto maior a concentração, menor será a durabilidade do filtro. É necessário considerar ainda que os filtros têm uma capacidade limitada. Essa capacidade é conhecida por MCU (Máxima Concentração de Uso). A concentração ambiental do agente químico não pode ser superior ao MCU do filtro.

  • Atividade do Trabalhador

O volume respiratório depende da atividade realizada pelo trabalhador. Existe alteração na amplitude e na frequência respiratória, ou seja, a quantidade de ar inalado pode variar de 20 até 130 litros/minuto, dependendo de acordo com o esforço físico realizado. Quanto mais intensa for a atividade, uma maior quantidade de ar será inalada pelo trabalhador e menor será a durabilidade do meio filtrante.

  • Umidade do Ar e Presença de outros Contaminantes Gasosos

Os filtros de carvão ativado podem saturar devido a outros agentes químicos presentes no ambiente laboral. O vapor d’água presente na atmosfera também é retido pelo meio filtrante e pode impactar na durabilidade do filtro. Se houver outros contaminantes presentes na forma de vapores ou gases, esses também ficarão retidos no meio filtrante ocupando espaços que estariam disponíveis para purificação do ar presente no ambiente de trabalho, ou seja, competem por espaço no meio filtrante, reduzindo a sua eficiência.

Por isso, conhecer as limitações dos filtros é fundamental para a seleção de um EPR. Existem situações de trabalho em que o uso de equipamentos filtrantes é viável, mas há situações que não possibilitam o uso desse tipo de EPR. O documento Programa de Proteção Respiratória – Recomendações, seleção e uso de respiradores (FUNDACENTRO), apresenta uma lista de contaminantes atmosféricos para os quais não se deve utilizar equipamentos com filtros, devido à baixa capacidade de retenção desses vapores pelos meios de filtração convencionais. Nesses casos, deve-se utilizar EPRs com suprimento de ar.

As trocas de filtros devem ser planejadas de acordo com a capacidade de retenção do meio filtrante e as reais condições de uso do equipamento. Cuidados devem ser tomados para a guarda dos filtros durante o período de não uso. Eles devem ficar em ambientes limpos, frescos e sem a presença de umidade excessiva. Os vapores adsorvidos no leito do carvão ativado podem ainda migrar durante o não uso, atingindo a parte interna do filtro que está em contato com a cobertura facial. Alguns cuidados que devem ser tomados por usuários de EPRs:

Antes do Uso

  • Verifique se o filtro é adequado ao tipo de contaminante seja para partículas (P1, P2 ou P3) ou para gases e vapores (orgânicos, ácidos, amônia, mistos etc.).
  • Confira a data de validade do filtro.
  • Inspecione se há danos físicos como rachaduras, amassados, deformações ou se o material adsorvente que se encontra dentro do cartucho faz barulho quando chacoalha o filtro. Em todos esses casos, os filtros devem ser descartados
  • Verifique se o filtro está corretamente instalado na máscara. Preste muita atenção com encaixes do tipo baioneta.
  • Verifique se existe anel retentor em perfeito estado entre os filtros e a peça facial.

Durante o Uso

  • Observe sinais de aumento de resistência respiratória, ou seja, se a respiração fica mais pesada ao longo do uso do respirador troque o filtro.
  • Verifique se há entrada de odores, gosto estranho ou irritação no caso de vapores e gases. Isso pode ser um indicativo da saturação do meio filtrante.
  • Siga rigorosamente a programação de troca definida pelo PPR. Não confie apenas no olfato. A percepção de odores pode falhar na delimitação do tempo de troca do filtro.
  • Não molhe o meio filtrante. A umidade reduz drasticamente a eficiência do filtro.
  • Saia da área de risco imediatamente se perceber falha no funcionamento dos filtros.
  • Lembre-se da importância de relatar dificuldades respiratórias, odores ou irritações durante o uso ao seu superior imediato.

Após o Uso

  • Não reutilize filtros fora da validade ou já saturados.
  • Anote a data e tempo de uso em planilha, ficha ou etiqueta de controle.
  • Comunique à supervisão caso identifique sinais de saturação precoce.
  • Guarde o filtro em local limpo e seco, protegido da umidade.
  • Separe os filtros da peça facial e guarde-os separadamente, protegido com plástico.
  • Nunca deixe os filtros em áreas com poeiras, produtos químicos ou umidade, enquanto não estiverem em uso.
  • Não improvise. Nunca tente limpar os filtros com água ou jato de ar, nem reutilizar cartuchos para gases e vapores após a saturação.

Encerramos esta série de artigos sobre o tema “Adequação do EPR à Tarefa”. Na próxima semana iniciaremos a série sobre a “Adequação do EPR ao Usuário”. Esperamos estar contribuindo com os seus conhecimentos sobre Proteção Respiratória e PPR e a aplicação prática destes conceitos em seu trabalho e empresa. Um grande abraço. Até lá!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *