Uso de Máscara e Claustrofobia

Hoje vamos discorrer sobre um caso que ocorreu em uma indústria petroquímica. Os processos existentes nessas indústrias operam de forma contínua, 24 horas por dia, 8 dias por semana, durante vários meses, sem qualquer interrupção. Para poder ser realizada a limpeza e manutenção dos equipamentos da área da produção, é necessário realizar uma parada nas operações, cessando todos os processos da planta petroquímica.  O planejamento para a parada, que pode ser anual, ocorre com muita antecedência, com planejamento detalhado de todas as possíveis necessidades.

A mão de obra utilizada para essas atividades é especializada e constituída por trabalhadores contratados para essa finalidade específica. Não são os mesmos operadores que trabalham no processo da planta petroquímica.

As paradas podem não durar muitos dias e os perigos e riscos existentes nas atividades desenvolvidas, durante essa fase, são diferentes daqueles existentes durante as operações normais da planta industrial. Pode haver resquícios de produtos nos equipamentos e tubulações para os quais os trabalhadores deverão estar protegidos. Porém, há ainda a presença de outros contaminantes originados pelas atividades de limpeza e manutenção.

Durante a parada, quase a totalidade dos trabalhadores utilizam algum tipo de proteção respiratória. Em alguns casos, o risco nem foi mensurado, em função da baixa predição em algumas tarefas. É certo que todos os operários que forem utilizar respiradores deverão ser submetidos a exames médicos e ensaio de vedação antes de utilizar o equipamento.

Em uma dessas paradas, a empresa contratada para realizar as atividades de manutenção solicitou os serviços de ensaio de vedação de uma empresa especializada. Durante a realização do trabalho, o condutor do ensaio notou que um dos trabalhadores estava muito desconfortável na colocação do respirador tipo peça facial inteira. Perguntado sobre o motivo do desconforto, o trabalhador disse que se sentia mal quando ajustava a peça na face. Disse que a peça facial o sufocava e, por isso, deixava os tirantes levemente frouxos. O trabalhador sabia que usando dessa forma não conseguiria ser aprovado no teste. Por isso, pediu que fosse complacente e aprovasse de qualquer forma, uma vez que fazia tempo que não conseguia um emprego e precisava desse trabalho, devido a situação financeira pela qual passava.

O condutor do ensaio perguntou se ele havia mencionado esse fato ao médico que o havia examinado. Ele disse que o médico não fez qualquer menção sobre o uso de máscara. Dito isso, o condutor do ensaio entendeu que aquele trabalhador não havia sido submetido a exames médicos específicos para trabalhadores que utilizam equipamento de proteção respiratória.

O fato foi encaminhado ao administrador do PPR, o qual foi informado sobre a incapacidade do trabalhador em usar máscaras com vedação facial, e sugerida uma alteração do tipo do EPR, ou mudança do trabalhador para uma atividade que não necessitasse do uso de um EPR.

O caso é muito preocupante, pois esse mesmo operário já havia trabalhado em outras situações utilizando respirador parecido com o que foi rejeitado no ensaio de vedação realizado, o que sugere que ele pode ter se exposto a contaminantes e com isso, prejudicado sua saúde.

O trabalhador não deveria ter sido encaminhado para a realização do ensaio de vedação, sabendo que sofria de claustrofobia*. O médico do trabalho é o profissional responsável por esse diagnóstico. Exames médicos conduzidos com o fim precípuo para a utilização de equipamentos de proteção respiratória devem diagnosticar problemas como esse relatado e outros como: dificuldade respiratória, deficiência de função pulmonar, deformações faciais, barbas etc.

Esperamos que tenha gostado desse caso. Até a próxima semana!

*Claustrofobia. Medo de permanecer em lugares fechados.

1 comentário em “Uso de Máscara e Claustrofobia”

  1. Luiz Otávio Brito dos Santos

    O texto é muito enriquecedor. Traz a realidade que encontramos nas empresas. Parabenizo aos autores.

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