Para condições potenciais de exposição IPVS ou de deficiência de oxigênio causadas pela presença de substâncias tóxicas ou uma porcentagem reduzida de oxigênio, apenas os seguintes respiradores de adução de ar devem ser selecionados: máscaras autônomas de demanda com pressão positiva e peça facial inteira ou respirador de linha de ar comprimido de demanda, com pressão positiva, combinado com cilindro auxiliar.
Princípios de Boas Práticas – AIHA/ABHO
Exposições IPVS de ameaças à vida do trabalhador.

Prosseguimos tratando do tema Princípios de Boas Práticas (PBP) em Higiene Ocupacional (HO) – Programa de Proteção Respiratória (PPR), e o artigo desta semana apresenta seleção de respiradores, mais especificamente a seleção de EPRs (Equipamentos de Proteção Respiratória) para condições potenciais de exposição IPVS (Imediatamente Perigosa à Vida ou à Saúde).
Vamos novamente recorrer ao texto da norma ISO/TS16975-1 para definição de atmosferas IPVS: A atmosfera que represente uma ameaça imediata à vida, que cause efeitos adversos irreversíveis à saúde ou que prejudique a capacidade de um indivíduo de escapar de uma atmosfera perigosa.
O instituto norte-americano NIOSH (National Institute for Occupational Safety and Health) publica e disponibiliza, em seu website, valores de concentração consideradas IPVS para cerca de 400 diferentes substâncias químicas, seguindo os seguintes conceitos:
- Os valores são definidos para garantir que um trabalhador possa escapar (em até 30 minutos) caso o EPR falhe, e para identificar o nível máximo acima do qual apenas máscaras autônomas de alta confiabilidade e pressão positiva são permitidas.
- Utilizado em resposta a emergências, derramamentos químicos e entrada em espaços confinados.
- Originalmente baseado na tolerância à exposição de 30 minutos. Derivações modernas utilizam uma abordagem científica baseada em risco.
- Exemplos: Sulfeto de hidrogênio (H2S) a 100 ppm, Amônia (NH3) a 300 ppm e Monóxido de carbono (CO) a 1.200 ppm.
Os valores de concentração IPVS são significativamente diferentes dos valores de Limite de Exposição Ocupacional TLV®, e não guardam correspondência entre si, seja entre o valor de IPVS e os valores de TWA (Média ponderada para 8 horas) ou os valores de STEL (Média ponderada para 15 minutos de exposição).
Vejam na tabela abaixo valores de LT (Limite de Tolerância) publicados no anexo 11 da NR-15, TLV/TWA (Média Ponderada para 8 horas), TLV/STEL (Média Ponderada para 15 minutos) ou C (Valores teto) e valores de IPVS para dez substâncias químicas.
O valor de IPVS para o benzeno é 25.000 vezes seu valor de TLV/TWA, enquanto o IPVS do ácido acético é apenas 5 e da acetona 10 vezes o valor de seus respectivos valores de TLV/TWA. Esta diferença se justifica devido a toxicidade crônica do benzeno ser muito mais alta que a do ácido acético e da acetona.
Outro valor que chama nossa atenção é o IPVS do Bromo ser de apenas 3 ppm, um dos mais baixos da tabela do NIOSH. Isso se explica pelo fato de que a inalação de vapores de bromo é extremamente perigosa, podendo causar tosse, dificuldade respiratória (dispneia), dor de cabeça, dor no peito e colapso circulatório. Sintomas muito semelhantes são causados pelo gás cloro, cujo valor de IPVS é 10 ppm.
Esperamos que esse artigo tenha sido útil para a implantação ou melhorias do PPR nas empresas onde trabalhe ou preste serviços de higiene e saúde ocupacional. Na próxima semana daremos continuidade ao tema Boas Práticas em HO com o tema Avaliação Médica no PPR.

Download do Manual de Princípios de Boas Práticas AIHA/ABHO
https://abho.org.br/biblioteca/
