O requisito mobilidade do trabalhador é um importante fator que deve ser considerado na seleção do EPR (Equipamento de Proteção Respiratória) mais adequado a uma atividade específica. Como exemplo, a situação mais evidente de dificuldade de mobilidade está relacionada ao uso de EPRs de linha de ar comprimido. Esse tipo de EPR limita a movimentação do trabalhador por alguns aspectos intrínsecos ao equipamento, como:
• Necessidade de conexão com uma fonte de ar limpo.
• Suprimento de ar através de mangueiras, com extensões limitadas.
• Localização da área de risco em relação a um local seguro para o trabalhador, em caso de necessidade de fuga.
Devem ser observadas as características do local de trabalho tais como níveis diferentes de piso, barreiras e espaços físicos com dimensões limitadas etc., que também dificultam o uso de respiradores com suprimento de ar, pois as mangueiras podem se prender em equipamentos fixos ou limitar o movimento do trabalhador.

Para utilizar um equipamento de linha de ar, o trabalhador precisa se deslocar até o local onde a atividade será realizada. Não é possível esse deslocamento vestindo um EPR de linha de ar comprimido, devido suas limitações (conexão com a fonte de ar limpo, mangueiras etc.). Por esse motivo, deve ser considerada a necessidade de outro tipo de proteção durante o deslocamento para o acesso e saída da área de risco.
Em caso de emergência e fuga, a distância da área de risco até um local seguro deve ser avaliada, inclusive quanto ao uso do EPR. Ainda relacionado ao uso de EPRs com linha de ar comprimido, existe o risco de deterioração das mangueiras, tubos e traqueias que podem entrar em contato com produtos químicos agressivos.
EPRs muito volumosos, como máscaras autônomas, também podem dificultar a mobilidade do trabalhador em espaços apertados e de difícil acesso, como no caso de espaços confinados.
EPRs filtrantes são mais adequados para situações que requeiram muita mobilidade dos trabalhadores, uma vez que são mais leves, não possuem grandes volumes e conferem liberdade ao trabalhador para movimentos e deslocamentos durante as operações de trabalho.
Um cuidado deve ser tomado com EPRs que requeiram vedação facial. Movimentos bruscos e frequentes podem deslocar o equipamento e quebrar a selagem do respirador na face.

Abaixo, apresentamos uma lista de verificação para o uso de EPRs em caso de necessidade de mobilidade do trabalhador.
• O tamanho e dimensão do equipamento permitem a circulação em passagens estreitas?
• As mangueiras, conexões ou cintas podem atrapalhar os movimentos?
• O trabalhador consegue se movimentar, agachar, levantar e girar o tronco normalmente?
• É possível subir e descer escadas sem dificuldades?
• Os braços podem se movimentar acima da cabeça e lateralmente sem restrição?
• O trabalhador consegue carregar ferramentas ou materiais ao mesmo tempo que usa o EPR?
• O local possui espaço suficiente para movimentação do trabalhador(a) com o EPR?
• Existem obstáculos (máquinas, estruturas, tubulações) que possam prender o equipamento?
• O acesso ao local (escadas, passagens, portas) permite entrada e saída com segurança?
• Óculos ou protetores faciais não atrapalham a mobilidade, nem a vedação?
• Foi realizada uma simulação das atividades para verificar se o EPR permite a mobilidade requerida pela tarefa?
• O acesso e rotas de fuga foram testados com o EPR em uso?
Mais um tema importante da Proteção Respiratória que requer a nossa atenção para garantirmos a adequada proteção ao trabalhador durante as suas atividades, especialmente em situações que limitam a sua mobilidade.
Obrigado por seu interesse em nossos artigos. A cada semana, preparamos um conteúdo que julgamos importante e valioso para o seu conhecimento e a prática em seu trabalho. Nossa motivação? A proteção da saúde e da vida das pessoas em seu trabalho. Um grande abraço. Até a próxima semana.
