Vamos abordar um tema importante que pode interferir na proteção respiratória do trabalhador, mesmo quando ele usa adequadamente um EPR (Equipamento de Proteção Respiratória.
O uso de ferramentas manuais requer que o trabalhador esteja posicionado muito próximo ao processo. Pode ser necessária, por exemplo, sua presença dentro de uma cabine de pintura, seja a pó ou por aspersão de tinta líquida. Outro exemplo, em processos de soldagem, esmerilhamento e corte de metal, o trabalhador aproxima a face a uma distância de centímetros do ponto onde se aplica a solda ou se faz a usinagem ou corte.
Essas e outras situações podem fazer com que o trabalhador e o EPR utilizado estejam sujeitos a outros riscos, além dos riscos respiratórios. Portanto, além da preocupação com a presença de poeiras, fumos, névoas, gases e vapores – para a qual o EPR foi desenvolvido, o profissional de segurança também deve estar atento a possíveis partículas volantes incandescentes que podem atingir o meio filtrante ou a peça facial, e danificá-lo, bem como ao acúmulo de tintas, solventes, ceras etc. sobre a peça facial ou sobre o meio filtrante, causando dificuldades respiratórias e prejudicando a limpeza e a manutenção do EPR. Ou seja, essa preocupação não se limita ao processo de seleção, mas também aos procedimentos para limpeza, manutenção, armazenagem e guarda dos EPRs.
Outro ponto importante a ser verificado se refere ao tamanho e tipo de ferramentas utilizadas pelo trabalhador. O uso de ferramentas pesadas ou grandes em combinação com o uso do EPR e outros EPIs necessários para a tarefa pode causar incômodos e obrigá-lo a assumir posturas incômodas, podendo causar problemas ergonômicos. Devem ainda ser avaliadas as possibilidades de impactos que a ferramenta pode provocar no EPR.
Nas atividades de corte, esmerilhamento e soldagem de metais, os trabalhadores devem usar outros equipamentos de proteção associados à proteção respiratória, tais como: protetores faciais, elmos, toucas, balaclavas etc. Esses EPIs podem interferir na vedação do EPR na face do trabalhador. Isso é tema para um outro artigo.

Outros exemplos de EPRs que podem ser impactados pelo uso de ferramentas, incluem:
– EPRs motorizados podem ter seu sistema eletrônico danificado pela presença de campos eletromagnéticos gerados por equipamentos de solda, lasers para corte de metal etc.
– EPRs com linha de ar comprimido utilizados em operação de pintura podem ser erroneamente conectados a linha de ar industrial que alimenta as pistolas usadas para aspersão de tinta.
– EPRs utilizados em operações que utilizem marteletes ou outros equipamentos que provocam vibração podem ser deslocados na face pela absorção da vibração pelo corpo de trabalhador.
Na próxima semana daremos continuidade ao tema Adequação do EPR à Tarefa abordando o tópico mobilidade do trabalhador enquanto utiliza um EPR. Gostou deste artigo? Dê a sua opinião. Conte-nos casos positivos ou negativos relacionados a esses temas. Até a próxima semana e um novo artigo sobre Proteção Respiratória e PPR.
