Eficácia do Filtro: critério de seleção do EPR.

Existem diferenças fundamentais entre os critérios adotados para realização dos ensaios de penetração em filtros utilizados em Equipamentos de Proteção Respiratória (EPRs) e os critérios utilizados para seleção desses filtros para uso nesses mesmos equipamentos, quando utilizados para proteção dos trabalhadores em ambientes industriais com a presença de agentes nocivos à saúde.

Durante os ensaios, os filtros são submetidos a condições críticas, as quais não são encontradas em ambientes de trabalho.

Para classificação dos filtros para particulados como P1, PFF1, P2, PFF2, P3 e PFF3 o meio filtrante é submetido a passagem de um fluxo de ar contendo partículas geradas em laboratório com dimensões entre 0,4 e 0,6 µm e vazão de fluxo de ar de 95 litros por minuto.

As partículas são geradas em um nebulizador específico para obter dimensões consideradas as mais penetrantes para o meio filtrante em teste. O fluxo de ar que passa pelo filtro também é muito acima do fluxo de ar inalado durante uma atividade industrial ou de serviços. Essa classificação é feita para diferenciar os meios filtrantes e direcionar a seleção do filtro que será utilizado no EPR.

De forma similar, os filtros para gases e vapores também são submetidos a condições extremas para obter um tempo de rompimento, ou seja, tempo necessário para que o agente de ensaio chegue do outro lado do cartucho. Não pode haver passagem do agente de ensaio até que o tempo mínimo requerido para aprovação seja atingido.

No processo de seleção dos filtros outros critérios deverão ser analisados.

As dimensões das partículas existentes nos ambientes de trabalho determinam o tipo de filtro para particulados a ser utilizado. Para partículas acima de 2 µm todos os meios filtrantes (P1, PFF1, P2, PFF2, P3 e PFF3) têm desempenho semelhantes. A diferenciação somente fica evidente para partículas submicrômicas, aquelas que têm dimensões menores que 1 µm.

Na primeira versão da Instrução Normativa 01 (IN01), que estabelecia a necessidade de implantação de um Programa de Proteção Respiratória, a recomendação para seleção de filtro para sílica cristalina, constava que se as partículas fossem menores que dois mícrons, deveria ser selecionado um filtro P3 ou PFF3.

Durante discussões que ocorreram naquele período, concluiu-se que esse critério inviabilizaria a seleção de qualquer outro filtro para proteção contra esse contaminante, pois não havia, como ainda não há, equipamentos disponíveis comercialmente para avaliação do tamanho das partículas presentes em um ambiente de trabalho.

O exposto acima deixa evidente a diferença entre os critérios usados para classificação em suas categorias específicas, que utiliza um aerossol com partículas monodispersas, e os critérios para seleção desses mesmos filtros, os quais estão baseados nas diferentes dimensões dos particulados presentes no ambiente de trabalho.

Há ainda a ressaltar que qualquer dispersão de aerodispersóides em um ambiente de trabalho possui partículas de todas as dimensões desse partículas menores que 1 µm até partículas maiores que 100 µm. Porém, sabe-se que partículas termicamente geradas são significativamente menores que partículas mecanicamente geradas.

Por isso, o PPR da FUNDACENTRO propõe um critério de seleção baseado na forma como os aerossóis são gerados, se térmica ou mecanicamente. Em outras palavras, se o aerossol é do tipo poeiras e névoas ou fumos.

Os critérios para seleção de filtros para gases e vapores estão baseados na capacidade do meio filtrante reter aquele agente químico específico presente no ambiente de trabalho e a capacidade do filtro.

O tema sobre Seleção de Filtros terá continuidade nos artigos das próximas semanas.

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