O uso de EPRs está baseado em informações sobre a exposição do trabalhador e referências para controle, como os Limites de Exposição Ocupacional (LEO).
Ocorre que os LEOs são definidos de forma a atender a maioria dos trabalhadores expostos aos agentes ambientais presentes e esses fatores podem afetar a saúde e as condições físicas do trabalhador de modo que os valores de LEOs não sejam seguros para todos os trabalhadores expostos.
Existe uma variedade de fatores como idade, sexo, fatores genéticos (predisposição), comportamentos pessoais como tabagismo, dieta, exercícios físicos, abuso de álcool ou outras drogas, atividades extracurriculares – hobbies), medicamentos e condições médicas (exemplo: doença cardiovascular). Vamos abordar os comportamentos pessoais, em particular tabagismo, abuso de álcool ou outras drogas.
O fumo inalado e ingerido pelo fumante pode causar danos nas regiões cobertas por mucos e cílios, que vão desde a traqueia até os bronquíolos. Os cílios e o muco presentes nesta região têm o objetivo de impedir a passagem dos contaminantes atmosféricos em direção da região de troca alveolar, onde ocorre a troca gasosa entre o oxigênio e o gás carbônico.

Ocorre que a fumaça do cigarro inalada pelo fumante sobrecarrega o trabalho dos cílios e leva a perda parcial dessa função. Quando um agente nocivo, particularmente um material particulado é inalado, ele passa por essas defesas e atingem os alvéolos.
É bem conhecido o efeito do tabagismo em trabalhadores expostos a amianto e sílica. Evidências experimentais corroboram a hipótese de que doses elevadas de substâncias cancerígenas nos pulmões decorrentes do tabagismo com partículas inaladas permanecem retidas nos pulmões de fumantes por períodos mais longos do que nos de não fumantes; também foi relatada uma maior retenção de substâncias cancerígenas inaladas que haviam sido adsorvidas a essas partículas. Analisou-se a dosimetria pulmonar relativa à inalação de fumaça de cigarro e de amianto. Entre os fatores apontados ou aventados como capazes de alterar a dosimetria normal, incluem-se o comprometimento da depuração mucociliar, a adsorção de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos a partículas e/ou fibras, a adesão de produtos de decaimento do radônio a partículas de fumaça e processos inflamatórios. (Oberdorster, G. Combined effects of tobacco smoke and asbestos fibers in the lung: Synergism or increased dose to target sites?)
Outras substâncias inaladas ou ingeridas podem provocar efeito aditivo nos órgãos alvos. Exemplo: um trabalhador exposto a um solvente orgânico que afete os rins, fígado ou sistema nervoso central pode aumentar o efeito do álcool ingerido de forma abusiva.
Esses efeitos no corpo e na saúde do trabalhador associados ao uso de Equipamento de Proteção Respiratória (EPR) podem tornar seu uso ainda mais difícil pelo trabalhador.
O uso de EPR, por si só, impõe uma resistência à respiração. Peças semifaciais ou faciais inteiras aumentam o espaço morto respiratório e exigem maior esforço dos músculos intercostais e do diafragma.
A Barreira Física – Barba, Vedação e a “Fissura” por Nicotina, e a eficácia de um respirador de pressão negativa depende de uma vedação hermética com o rosto. O hábito de fumar interfere diretamente nesta dinâmica de duas formas:
- Problema da barba. Muitos fumantes desenvolvem irritações cutâneas ou preferem manter pelos faciais que prejudicam a vedação do EPR. Nenhuma máscara facial vedará corretamente sobre fios de barba, permitindo a passagem do contaminante pelas laterais.
- Contaminação por manuseio. A dependência química faz com que o trabalhador retire o EPR em momentos de pausa para fumar. Se o trabalhador manusear o cigarro com as mãos sujas de agentes químicos ou poeiras minerais, ele ingere e inala diretamente esses contaminantes concentrados.
Devido ao Efeito Sinérgico e a multiplicação do Risco de Doenças Ocupacionais, o tabagismo não apenas se soma ao risco ocupacional, ele o multiplica. A literatura médica aponta que a exposição combinada à fumaça do tabaco e a certos contaminantes ambientais gera um efeito sinérgico devastador.
Garantir um ar limpo através do filtro do EPR é apenas metade do trabalho. Se o pulmão que recebe esse ar já está severamente comprometido pelo tabagismo, a eficácia real da proteção despenca. O combate ao tabagismo dentro da indústria não é uma interferência na vida pessoal do trabalhador, mas sim uma estratégia crítica de Higiene Ocupacional para garantir que quem usa proteção respiratória volte para casa com saúde.
Prosseguimos abordando assuntos de interesse e dúvidas dos profissionais e usuários de EPRs em nossos artigos. Nosso objetivo? Descomplicar o PPR e o tema Proteção Respiratória. Até a próxima com mais um novo artigo. Excelente semana para você!
