Durante a realização de treinamentos aos usuários de EPRs e nos ensaios de vedação quantitativos temos sempre a grata oportunidade de conversar e trocar muitas informações com os candidatos ao uso de EPRs. Um verdadeiro APRENDIZADO!
Este caso real ocorreu recentemente durante a realização de ensaios de vedação em uma grande empresa prestadora de serviços de manutenção e caldeiraria. Este era o quinto ano consecutivo em que realizamos o ensaio de vedação nesta empresa e, ao conversar com um trabalhador específico usuário de peça facial inteira, ele relatou ter dificuldades em usar esse tipo de EPR sendo o desconforto e a fadiga os seus maiores desafios.
Informou que, a depender da atividade, chegava a usar a cobertura facial por 4 horas ininterruptas, ou seja, colocava a peça facial no rosto no início da manhã e a mantinha em uso até perto do horário do almoço. Relatou fadiga, dores no pescoço, em alguns casos embaçamento do visor, incômodo e ardor nas áreas de contato com a pele do rosto, sensação de secura na garganta e muita sede. Uma condição altamente incômoda e irritante.
Analisando com muita atenção esse depoimento, pude verificar que outros trabalhadores também apresentavam as mesmas queixas. O gerente de contratos desta empresa, uma pessoa muito sensata e aberta a ideias, nos deu a oportunidade de conversar e informei a ele os relatos dos trabalhadores.

Sugeri a ele colocarmos em teste uma medida de Boa Prática que consiste na seguinte mudança comportamental, baseado na rotina desses trabalhadores sujeitos ao estresse térmico. Foi proposto adicionar uma parada para descanso de 10 a 15 minutos, a cada duas horas de atividades.
O descanso deveria ser em local não contaminado onde o trabalhador pudesse retirar o EPR, lavar bem o rosto, enxugar, limpar a região de contado com a pele, limpar o visor, hidratar-se e descansar. Depois do tempo de descanso, deveria repor o EPR, ajustar na face e realizar a verificação da vedação, antes de voltar às suas atividades.
Após 40 dias reencontrei esse gerente e dois dos trabalhadores. Eles relataram o sucesso na aplicação desta Boa Prática. Resultou, em especial, na satisfação pessoal dos usuários, na melhoria no conforto e na continuidade do uso do EPR de forma segura. Apesar da introdução dessa parada, muito importante, foi observado um ganho de produtividade.
Os sinais de fadiga associados ao uso de EPR podem se manifestar por sinais de desconforto físico ou por mudanças de comportamento. O uso do EPR exige maior esforço respiratório, o que pode levar a sinais e sintomas de sobrecarga, como sensação de maior cansaço, sensação de dor na cabeça devido à pressão dos tirantes ou esforço prolongado, tontura, cansaço vocal pela necessidade de falar mais alto para poder se comunicar através da máscara.
A desidratação leve ou moderada pode provocar perda de atenção, perda de foco, dificuldade de concentração e lentidão no raciocínio. O desconforto térmico também aumenta a irritabilidade, levando a realização de ajustes frequentes na máscara, para tentar aliviar a pressão na face e pode aumentar a exposição do trabalhador.
As jornadas prolongadas sem pausas programadas para hidratação e descanso reduzem a adesão ao uso do EPR, podendo induzir o funcionário a retirar o equipamento em locais perigosos.
Este caso real nos indica a importância do fator conforto para o uso correto e eficiente do EPR. Você percebe alguma situação em sua empresa em que os usuários de EPRs podem estar comprometendo a sua proteção em função do desconforto e fadiga? Na próxima semana continuamos com mais um novo artigo sobre PPR. Um grande abraço e excelente trabalho!

