Dando continuidade ao tema “tecnologia aplicada em proteção respiratória”, nesta semana vamos abordar o uso de sensores conectados à rede para avaliação da integridade, saturação de filtros e vedação facial. A detecção de falhas na vedação dos equipamentos de proteção respiratória (EPRs) é de extrema importância para avaliar a eficácia no uso do equipamento, ou seja, o quanto, na prática, o uso do equipamento consegue proteger o trabalhador.
A presença de pelos faciais é um dos elementos mais conhecidos para comprometer a eficácia dos EPRs. No entanto, a manutenção de uma vedação segura no rosto do trabalhador, durante a sua atividade laboral, enfrenta complexos desafios no dia a dia operacional. A eficiência de um EPR não é estática, ela oscila diretamente em função do desgaste do próprio equipamento e da intensidade das atividades executadas pelo trabalhador que utiliza o equipamento.
Os movimentos faciais alteram a anatomia do rosto e podem criar frestas, mesmo que temporárias, entre a pele da face e a peça facial. Isso pode ser percebido durante os ensaios de vedação e pode ocorrer durante as atividades que exigem curvar-se, levantar pesos, virar a cabeça rapidamente ou olhar para cima e para baixo.
Pode ocorrer o deslocamento da peça no rosto do trabalhador quando há aumento da frequência e amplitude respiratória, desgastes e fadiga dos tirantes e elásticos de fixação, presença da sudorese, com especial atenção para ambientes quentes. Alguns produtos químicos podem agredir o material que compõe a peça facial. O acúmulo de sujidade pode comprometer a vedação facial, ou a oleosidade da pele também pode prejudicar a aderência da peça na face, aumentando a probabilidade de deslizamento durante o movimento.
Os equipamentos utilizados para ensaios de vedação facial CNP (Pressão Negativa Controlada) e CNC (Contador de Núcleos de Condensação) utilizam sensores e algum tipo de integrador para se obter informações sobre a possível falha de vedação das peças faciais utilizadas como parte de um EPR. Esses equipamentos são utilizados em ambientes controlados, sua aplicação para avaliação da vedação facial em tempo real, durante as atividades dos trabalhadores, seria muito difícil ou impossível.

Porém, outras tecnologias têm sido desenvolvidas com esse objetivo. Um estudo realizado por Pablo Equeveque et al.* utilizou sensores de temperatura, pressão e umidade dentro de uma peça semifacial. As informações geradas pelos sensores foram enviadas a um aplicativo utilizado em um smartphone. Nesse estudo, a integração dessas três informações, temperatura, pressão e picos de umidade no interior da peça facial, foi associada à detecção de falhas de vedação e saturação do meio filtrante.
Os sensores foram integrados em uma única peça que se encaixou na parte plástica rígida localizada atrás da válvula de exalação da peça semifacial. Segundo os autores desse estudo, o sistema proposto combina sensores respiratórios integrados com algoritmos de aprendizado de máquina, permitindo a detecção confiável e em tempo real de problemas de ajuste de respiradores em ambientes de trabalho.
O que chamou nossa atenção nesse estudo é a possibilidade de uso de sensores para avaliar o desempenho de um EPR. O uso dessa e de outras tecnologias disruptivas possui grandes potenciais para mudar nossas vidas. Usá-las para preservar a saúde e integridade física dos trabalhadores é um grande desafio.
Na próxima semana, daremos continuidade a esse tema, apresentando um equipamento de proteção respiratória disponível em outras partes do mundo que utiliza essas novas tecnologias. Até lá. Compartilhe o artigo. Excelente semana para você!
* Pablo Aqueveque et al. Real-Time Detection of Industrial Respirator Fit Using Embedded Breath Sensors and Machine Learning Algorithms.
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12650192/#abstract1 – acessada em 16/6/2026

