Proteção Respiratória – O Amanhã

Com frequência, somos questionados a respeito do futuro da proteção respiratória e sobre como esse tema é tratado em outros países. Um questionamento relevante, que exige uma resposta bem estruturada. Em vez de fazer previsões incertas, vamos projetar esse futuro com base no que já existe hoje, nas tendências observadas e nos novos desenvolvimentos em curso.

Nós, profissionais de Segurança e Saúde, devemos identificar os principais desafios relacionados ao uso dos Equipamentos de Proteção Respiratória (EPRs). A seguir, abordaremos as duas principais dificuldades associadas aos EPRs filtrantes.

Vedação Facial

A vedação facial é uma das principais causas de falhas na proteção oferecida pelo EPR. Ela depende do ajuste adequado de peças faciais ou semifaciais ao rosto do usuário. A maior dificuldade está relacionada às diferenças nas características faciais dos trabalhadores. Esse problema poderia ser reduzido com peças de formatos personalizados e capazes de se adaptar melhor às diferentes características individuais dos usuários de EPRs.

Filtros

Durante o uso, os filtros tendem a saturar, e essa saturação nem sempre é facilmente percebida pelo trabalhador. Sistemas capazes de avaliar o nível de saturação para controlar o tempo de uso seriam uma boa solução, especialmente para filtros destinados a gases e vapores. Esses sistemas também poderiam monitorar o fluxo de ar que passa pelos filtros, contribuindo para avaliar a sua vida útil.

Quais ferramentas disponíveis atualmente poderiam ajudar a enfrentar esses problemas?

IoT. A Internet das Coisas (Internet of Things) envolve o uso de sensores conectados à rede para coletar e transmitir informações. Essa tecnologia já é aplicada em diversas áreas de trabalho. Uma integração eficiente entre processos industriais, emissões gasosas e equipamentos de proteção respiratória poderia acionar mecanismos capazes de ajustar o nível de proteção oferecido por um EPR.

Considerando que níveis mais altos de proteção tendem a tornar o EPR menos confortável, seria possível desenvolver dispositivos que funcionassem apenas durante a ocorrência de emissões gasosas. Afinal, poucas atividades requerem o uso de um EPR durante todo o turno ou ao longo de toda a operação. Um equipamento “inteligente” poderia ser acionado somente quando fosse realmente necessário. A IoT também pode contribuir a manter os trabalhadores afastados de áreas de risco, reduzindo o tempo necessário de uso do EPR.

Sensores de monitoramento podem ser aplicados para indicar o fim da vida útil de um meio filtrante. Muitas pesquisas estão em andamento, produtos já lançados mostram que, no caso de cartuchos para gases e vapores, o custo-benefício ainda não permite o uso comercial dessas tecnologias. No entanto, ela pode ser mais adequada para outros tipos de EPIs.

Outros sensores também poderiam ser usados no monitoramento fisiológico e/ou biológico dos trabalhadores, identificando alterações e ajudando a controlar sua exposição por meio de alertas ou indicando a correção de possíveis falhas no processo. Em resumo, sensores conectados permitem uma interação mais eficiente e de modo contínuo entre o trabalhador e o processo que ele executa.

Gostou do tema? Daremos continuidade neste assunto nas próximas publicações. Compartilhe o artigo e excelente semana!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *