A comunicação é um fator crítico de segurança no ambiente de trabalho e, portanto, indispensável no processo de seleção do respirador mais adequado para uma atividade específica.
Áreas industriais ou de serviços com ambientes ruidosos podem apresentar dificuldades para comunicação entre os trabalhadores e, em especial os que utilizam Equipamentos de Proteção Respiratória (EPR). Com o uso do EPR, o som da voz do trabalhador pode sair abafado e de difícil compreensão pelo colega de área e operação. Isso se torna ainda mais difícil se considerarmos o possível uso de um equipamento de proteção auditiva (abafador, por exemplo).
Para ser escutado, muitas vezes, o trabalhador aumenta a altura da sua voz, faz gestos ou retira o EPR durante algum período de tempo, mesmo que seja curto. Tudo isso prejudica a eficiência do equipamento, seja pela quebra da selagem facial ou pelo tempo de omissão de uso do EPR em área contaminada.
Muitos trabalhadores desenvolvem técnicas de comunicação gestual ou por sinais para manter um nível mínimo necessário de comunicação na área de trabalho. Por isso, é necessário considerar a comunicação ao definir o EPR mais apropriado.
Todos os tipos e classes de EPRs podem causar dificuldades na comunicação. Este problema é mais significativo no uso de peças faciais inteiras e semifaciais de material elastomérico. Por essa razão, alguns equipamentos dessas classes são providos de diafragma de voz. O diafragma de voz é constituído de um material rígido que vibra com a emissão da voz. Essa vibração ajuda a propagação do som. Muitas vezes, há uma pequena distorção na qualidade do som, alterando as frequências da voz do trabalhador, mas facilita a comunicação. Existem ainda outros dispositivos eletrônicos que podem ser inseridos no interior das peças semifaciais ou faciais, que captam o som da voz e, por um microfone, transmitem o som para fora da peça.

No anexo 4 do documento da FUNDACENTRO “Programa de Proteção Respiratória: recomendações, seleção e uso de respiradores”, encontramos uma descrição mais detalhada desses dispositivos, além de recomendações a serem observadas para facilitar a comunicação entre trabalhadores que utilizam EPRs. A seguir, apresentamos algumas alternativas para melhorar a comunicação no ambiente de trabalho, durante esta condição.
Uso de Sinais
• Treinar e padronizar sinais com a equipe, como aqueles sinais utilizados por mergulhadores nas áreas de mergulho ou construção. Crie um “vocabulário visual” com gestos claros como, por exemplo, PARAR, AVANÇAR, PERIGO, PRECISO DE AJUDA, ABANDONAR O LOCAL, OK – TUDO CERTO. Coloque cartazes ilustrativos na área com os sinais mais usados e padronizados pela equipe, para reforço diário.
• Em ambientes escuros ou com visibilidade reduzida, use sinais de luz através de lanternas para indicar essas ações, como aplicados na mineração subterrânea.
Planejamento e Comunicação Prévia
• Antes de entrar em áreas ruidosas, faça uma reunião ou um DDS (Diálogo de Segurança) detalhado sobre o objetivo da tarefa, sinais que serão usados e código de emergência.
• Quanto mais claro for a preleção, menos comunicação será necessária durante o desenvolvimento das atividades. Tenha sempre pranchetas com caneta para ajudar na comunicação escrita.
O QUE NÃO SE DEVE FAZER
• Gritar e ou retirar o EPR para se comunicar!
Dando continuidade a esta série de artigos sobre o tema “Adequação do EPR à Tarefa”, na próxima semana abordaremos o tópico “Vida Útil do Filtro”. É muito bom ter a sua companhia na leitura dos nossos artigos técnicos semanais. Um forte abraço. Até lá!

