As operações de resposta a emergências são eventos extremamente dinâmicos e de ritmo acelerado, podendo envolver grande números de funcionários para resposta e suporte. Os desafios enfrentados por um higienista industrial para auxiliar o profissional de segurança, no comando de incidentes, caracterizam as várias operações, seus perigos, e os riscos de exposição ou ferimentos podem ser extremamente difíceis*.
Esse capítulo do livro “Uma Estratégia para Avaliar e Gerenciar Exposições Ocupacionais da AIHA”, traduzido pela ABHO, aborda este tema específico e as dificuldades que têm um profissional de higiene do trabalho para confrontar esse desafio.
O tempo urge contra a demora para a aplicação da maioria das técnicas de segurança e saúde utilizadas em operações normais, rotineiras e não rotineiras nesses casos de atendimento a emergências.
As decisões precisam ser tomadas rapidamente. Não há tempo para realização de uma avaliação mais demorada dos riscos a serem enfrentados pelos profissionais que atendem emergências químicas, incêndios ou outras situações que requerem a presença de um brigadista e outros profissionais de segurança.

A primeira atividade que o profissional responsável pela avaliação do risco precisa fazer é analisar o plano de ação implementado e responder algumas perguntas-chave, como:
– O que as equipes de resposta estão fazendo?
– Onde é o local dessas atividades?
– Quem são os respondentes da emergência e quem é o pessoal de apoio (exemplos: agências de governo, pessoas contratadas, partes responsáveis etc.)?
– Qual é a duração e a frequência em que essas atividades específicas estão ocorrendo?
Com essas informações, pode-se caracterizar a força de trabalho de resposta a emergências e os tipos de agentes ambientais aos quais eles podem estar expostos.
No livro sobre estratégias citado é proposto a elaboração de um formulário para a verificação dos riscos onde se aponta a existência de perigos, controles existentes, severidade das lesões, consequências para a saúde humana, segurança das pessoas envolvidas no atendimento e possíveis impactos ambientais.
No formulário proposto também está prevista uma gradação do risco para cada uma das tarefas executadas, tanto para os perigos à saúde como para os aspectos ambientais relacionados.

As operações devem ser cuidadosamente observadas, tanto sobre o local de trabalho como sobre a força de trabalho. Alguns itens que devem ser verificados são:
Local de Trabalho:
– Fontes da liberação (exemplos: tanques, infiltração no solo, tambores).
– Temperatura ambiente, umidade e velocidade do vento no momento das operações.
– Outras estruturas próximas à operação que podem fazer com que o fluxo de ar e gases mudem de direção, vindo contra o respondente. Observe todos os bolsões onde o gás/vapor podem se acumular.
– Controles de engenharia na área (exemplos: sopradores, dispositivos de aquecimento portáteis).
– Fontes de água, naturais e canalizadas.
– Localização dos veículos de resposta e configuração do suporte.
– Delineamento de áreas contaminadas.
– Acesso restrito à área de resposta.
– Preocupações gerais de segurança e saúde, como escorregões/tropeções/quedas, riscos de incêndio, espaços confinados e presença de estruturas instáveis nas proximidades.
– Resultados de monitoramentos do ar, água ou do solo, se houver.
Força de Trabalho:
– Número de trabalhadores envolvidos no atendimento.
– Qual operação cada trabalhador está realizando.
– Adequação dos EPIs utilizados no atendimento e se estão tendo os cuidados de manutenção (exemplo: troca de filtros de respiradores) e se os controles existentes no local são eficazes.
– Quaisquer sinais/sintomas que os profissionais de resposta possam estar exibindo (exemplos: dermatite, respiração difícil).
– Converse com o pessoal de resposta para determinar suas preocupações de saúde e segurança, se houver.
– Comunicação sobre possíveis efeitos à saúde e segurança dos envolvidos.
– Se houver suporte médico no local (o que deve ocorrer em operações mais complexas e longas), pergunte-lhes os tipos de lesões e doenças que eles estão enfrentando. Observe a lista diária de ocorrências médicas.
– Cronograma de rotação dos trabalhadores.
– Preocupações gerais de segurança e saúde como fadiga, irritabilidade, estados mentais e emocionais entre os respondentes.
A seleção de respiradores nessas situações é particularmente difícil, pois há falta de informações sobre os riscos aos quais todos envolvidos estarão expostos.
O uso de respiradores filtrantes deve ser feito com muita cautela, pois desconhecendo os contaminantes e suas concentrações é impossível determinar se serão capazes de reter esses agentes dispersos no ambiente e quanto tempo durariam os filtros nas condições encontradas.
Respiradores com linha de ar comprimido, na maioria das situações, esbarram na dificuldade de deslocamento durante o atendimento. Portanto, a máscara autônoma é o único equipamento adequado às circunstâncias típicas de grande parte de atendimento a emergências químicas ou incêndios.

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* Uma Estratégia para Avaliar e Gerenciar Exposições Ocupacionais, Quarta Edição, Cap. 19: Aplicação do Modelo de Avaliação da Exposição à Resposta a Emergências.
