Respirador adequado à exposição a agentes químicos é aquele que reduz a exposição do usuário a valores abaixo dos valores considerados aceitáveis, como, por exemplo, o Limite de Exposição Ocupacional (LEO). PPR FUNDACENTRO
A norma regulamentadora NR-33 (SEGURANÇA E SAÚDE NOS TRABALHOS EM ESPAÇOS CONFINADOS) que orienta a entrada em espaços confinados, no item 33.2.2 possui a seguinte redação:
Considera-se espaço confinado qualquer área ou ambiente que atenda simultaneamente aos seguintes requisitos:
a) Não ser projetado para ocupação humana contínua;
b) possuir meios limitados de entrada e saída; e
c) em que exista ou possa existir atmosfera perigosa
Quando refletimos sobre essa definição, perguntamos: “por que um trabalhador entra em um local com essas características?” Esse questionamento deve ser feito todas as vezes que for programada uma entrada em um espaço confinado para que possa se discutir e identificar outra maneira para realizar o mesmo trabalho, porém sem a entrada.
Há vários casos de alterações operacionais que possibilitaram a realização de trabalhos internos em tanques e reatores sem a necessidade da entrada de um trabalhador em seus interiores. Houve um relato de uma operação de limpeza da parte interna de um reator impregnada com adesivos. O trabalho era feito por dois operadores com uso de raspadores, pás e solventes orgânicos. Uma alteração feita nessa operação permitiu que se obtivesse o mesmo resultado de limpeza interna com o uso de solvente quente. Com isso, não houve mais a necessidade da entrada dos trabalhadores no interior do reator. A entrada de um trabalhador em um espaço confinado pode ser muito perigosa. Por este motivo deve ser evitada.

No item 33.2.2.1da mesma NR-33 está definido os tipos de atmosferas perigosas que podem ser encontradas em espaços confinados:
Considera-se atmosfera perigosa aquela em que estejam presentes uma das seguintes condições:
a) deficiência ou enriquecimento de oxigênio;
b) presença de contaminantes com potencial de causar danos à saúde do trabalhador; ou
c) seja caracterizada como uma atmosfera explosiva.
Veja que os riscos que podem estar presentes nos interiores de tanques, reatores, silos, valas etc. vão além da inalação de agentes nocivos. Pode haver a falta de oxigênio ou uma atmosfera considerada explosiva.
Quanto a falta de oxigênio em um espaço confinado, este risco pode ser fatal. As concentrações de oxigênio nesses locais podem estar abaixo de 10%, estando abaixo de 19,5%, concentração considerada IPVS (Imediatamente Perigosa à Vida ou Saúde).

Podemos citar, como exemplo, um acidente que ocorreu no interior de um tanque de aço carbono. Após a sua construção, o tanque não foi utilizado por muito tempo. Então, após anos sem uso, decidiu-se finalmente por sua utilização. Porém, foi identificado que o tanque estava sujo por dentro e necessitava uma limpeza. Dois trabalhadores entraram no interior do tanque para realizar o trabalho e morreram logo após a entrada. Quando, finalmente, foi medida a concentração de oxigênio no interior do tanque, para fazer a remoção dos trabalhadores acidentados, verificou-se que o valor da concentração de O2 estava próximo a 5%. Durante a investigação, concluiu-se que o motivo da reduzida concentração de oxigênio no interior do tanque foi a oxidação de suas paredes internas. O processo de oxidação consumiu o oxigênio que deveria estar presente no interior do tanque.
Agentes nocivos também podem estar presentes em concentrações acima daquela considerada IPVS. Gases tóxicos utilizados em processos ou estocados no interior de um tanque, ou ainda formados por decomposição química ou biológica de produtos naturais ou artificiais são as principais razões encontradas em acidentes fatais em espaços confinados.
Um exemplo de gás tóxico que pode se acumular no interior de espaços confinados é o monóxido de carbono (CO) devido a combustão incompleta que pode ocorrer no interior desse espaço, e pode haver acúmulo devido à falta de ventilação existente. O CO não tem cheiro nem cor, tampouco é percebida sua presença pelo trabalhador. Trata-se de um gás asfixiante químico, ou seja, ele causa asfixia no ser humano reagindo com a hemoglobina do sangue. A estrutura molecular do CO é parecida com a do oxigênio (O2). A hemoglobina tem uma afinidade muito alta pelo CO, cerca de 200 a 250 vezes maior do que pelo oxigênio. Isso compromete o transporte de oxigênio dos alvéolos pulmonares às células do corpo humano.
Por todas essas razões, antes de um trabalhador entrar em um espaço confinado deve-se seguir todos os procedimentos pertinentes descritos na NR-33. Observar que, conforme o item 33.5.4 da NR-33, a empresa deve elaborar e implementar rotina para a seleção e uso de respiradores em conformidade com os riscos respiratórios.

Na próxima semana iremos abordar a exposição de trabalhadores a perigos respiratórios encontrados em operações de emergências, finalizando os temas relacionados a Adequação do EPR à Exposição.
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