Além do respirador ser adequado à exposição, ele deve também ser analisado em relação à tarefa, ao usuário e ao ambiente de trabalho para que ofereça a proteção necessária durante o período de uso. PPR da FUNDACENTRO
É indispensável nos preocuparmos com o nível de exposição do trabalhador a um agente químico ou biológico durante a seleção do Equipamento de Proteção Respiratória (EPR) mais adequado. É um trabalho que requer conhecimentos sobre os riscos existentes no processo da empresa e a sua adequação dos tipos de proteção respiratória e meios filtrantes a serem utilizados. Porém, isso não basta.
No procedimento de seleção do EPR deve-se também levar em consideração as múltiplas tarefas realizadas pelo trabalhador, a existência de outros perigos no local de trabalho e, em especial, as características faciais da pessoa que irá usar o EPR.

Nesta semana, vamos iniciar uma série de artigos abordando a adequação do EPR à tarefa. Muitas vezes o termo tarefa está relacionado com a exposição a agentes nocivos, por isso daremos foco às atividades realizadas pelo trabalhador.
Vamos recordar um caso ocorrido no século passado, nos anos 80. Naquela época havia alguns EPRs disponíveis no mercado, com certificado de aprovação do Ministério do Trabalho, porém bem mais rudimentares quando comparados com os EPRs atuais. O caso ocorreu em uma empresa metalúrgica. A atividade era realizada por um operário da área de manutenção e consistia em engraxar, ou seja, aplicar graxa em uma parte do equipamento, que estava situada na parte inferior da máquina. A máquina era um torno de controle numérico, um equipamento de grandes dimensões, que produzia peças metálicas com boa precisão.
Para executar as atividades de engraxamento, o trabalhador entrava por baixo da máquina, utilizava ferramentas volumosas e passava por áreas de dimensões diminutas. O acesso a este local dificultava o uso de respiradores mais robustos, como linha de ar comprimido ou mesmo peças faciais inteiras.
Nesta época, era inexistente o Programa de Proteção Respiratória no Brasil. Sem orientação técnica especializada, o trabalhador tomou a iniciativa de utilizar uma máscara descartável que não possuía um meio filtrante eficiente para retenção do material particulado gerado na operação, tampouco tinha qualquer eficiência para retenção de possíveis vapores presentes. A realização da atividade nessas condições causou-lhe um grande mal-estar, necessitando um atendimento médico.

Após esse acontecimento, houve uma alteração na atividade de tal forma que possibilitou o uso de um respirador do tipo peça facial inteira com filtros combinados para particulados e vapores orgânicos. Após essas mudanças, não houve qualquer problema de saúde dos trabalhadores durante a realização da atividade de engraxamento da máquina.
Esse caso exemplifica a necessidade de se conhecer as dificuldades da tarefa durante o processo de seleção de um EPR, e quem as conhece muito bem é o próprio trabalhador. Há ainda outros casos relacionados a duração da atividade e o nível de esforço requerido que também necessitaram de uma observação criteriosa sobre a tarefa realizada para a seleção do EPR mais adequado.
Nas próximas semanas vamos dar continuidade a esses tópicos do item 4.4.1 Adequação à tarefa do PPR da FUNDACENTRO através dos seguintes temas:
a. Frequência e duração da tarefa
b. Nível de esforço físico
c. Emprego de ferramentas
d. Mobilidade
e. Comunicação
f. Vida útil dos filtros

Este artigo foi útil para o seu trabalho, seus conhecimentos sobre PPR? Participe, dê sua opinião. Conte-nos suas experiências sobre a seleção e o uso de EPRs. Até a próxima semana e um novo artigo.
