Exposição a Vapores de Gasolina

Na semana passada, escrevemos sobre os vapores e o uso de respiradores como parte da hierarquia de controle para evitar a exposição a esses contaminantes atmosféricos. Neste artigo, vamos explorar situações nas quais trabalhadores se expõem a vapores orgânicos.

Primeiramente, uma rápida definição sobre o que são esses vapores, onde e quando os trabalhadores podem estar expostos, e podem sofrer as consequências provocadas por esses agentes nocivos. Como o próprio termo define, os vapores orgânicos são gerados a partir da volatilização de matéria orgânica. Isso inclui uma infinidade de produtos de origem animal e vegetal. Na indústria, os compostos orgânicos mais comumente utilizados são os derivados de petróleo.

Entre eles, podemos destacar:

  • Combustíveis: Gasolina, óleo diesel, querosene, GLP, óleos combustíveis
  • Plásticos: Polietileno, PVC, polímeros
  • Asfalto: Betume asfáltico
  • Tintas e detergentes: Aromáticos
  • Lubrificantes: Óleos lubrificantes
  • Outros: Nafta, propeno

A gasolina é amplamente utilizada como combustível e não está entre os produtos mais tóxicos, dentro deste universo de substâncias químicas oriundas da destilação do petróleo. Segundo o livreto que contém os valores de TLVs® e BEIs® da ACGIH®, edição 2024, o valor do Limite de Exposição Ocupacional para 8 horas de exposição diária (TLV®/TWA) estabelecido para a gasolina é 300 ppm. A base para estabelecimento deste valor de TLV está relacionada com as seguintes nocividades – irritante para os olhos e para o trato respiratório superior.

Os estudos epidemiológicos não indicam que seja carcinógeno para o ser humano. A ACGIH® classificou a gasolina na categoria A3, carcinogênico animal confirmado. Ocorre que a gasolina, como a maioria dos produtos derivados de petróleo não possuem uma composição química determinada. Ela é composta por várias substâncias químicas que se separam do petróleo dentro de uma faixa de pontos de ebulição estabelecida.

A gasolina é composta por vários hidrocarbonetos com cadeias lineares, dentro de uma faixa de 7 a 11 carbonos. Porém, podem ainda conter compostos como enxofre, oxigênio, benzeno, metais e nitrogênio. O benzeno é também um hidrocarboneto, porém da família dos compostos aromáticos, para o qual existem várias evidências de alta toxicidade e desenvolvimento de câncer.

Para se ter uma ideia de comparação, o Limite de Exposição Ocupacional para o Benzeno é 0,02 ppm, ou seja, quinze mil vezes inferior ao valor de TLV da gasolina. Isso causa várias controvérsias entre pessoas, que não possuam formação em Higiene Ocupacional. Essas pessoas podem pensar, se a gasolina tem benzeno e o benzeno é um produto altamente tóxico, a gasolina pode ser considerada altamente tóxica.

Ocorre que a presença de benzeno na composição da gasolina é na condição de contaminante, ou seja, menos que 1% da composição. Nessa composição não é de se esperar que em um posto de abastecimento de gasolina, um frentista esteja exposto a concentração média diária de benzeno acima de 0,02 ppm. Na verdade, vários estudos foram realizados e essas concentrações estão abaixo de limite de detecção do método de amostragem e análise química utilizados. Isto é, o laboratório não detectou a presença de benzeno no ar.

Ainda assim, muitas discussões foram levantadas sobre o risco dos profissionais que trabalham em Postos de Revendedores de Combustíveis – PRC. A Norma Regulamentadora 20, NR-20, que estabelece requisitos mínimos para a gestão da segurança e saúde no trabalho contra os fatores de risco de acidentes provenientes das atividades de extração, produção, armazenamento, transferência, manuseio e manipulação de inflamáveis e líquidos combustíveis, traz um anexo específico sobre a exposição a benzeno por trabalhadores em PRCs. Esses requisitos estão no ANEXO IV – Exposição Ocupacional ao Benzeno em Postos de Serviços Revendedores de Combustíveis Automotivos.

Várias medidas preventivas são requeridas, entre elas medidas gerais como: os bicos de abastecimento devem possuir sistemas de desarme automático; é proibido o uso de flanelas ou qualquer tipo de tecido para contenção de pingos. Para proteção respiratória em PRC, está especificado o uso de respiradores faciais com filtros para vapores orgânicos em algumas atividades, como descarga de caminhão contendo combustível, medições de volume do tanque de combustível do posto de gasolina e outros serviços relacionados. Não incluem o trabalho de frentistas.

O anexo acima citado menciona a Instrução Normativa SSST/MTB nº 1, de 11 de abril de 1994, que estabelece o Regulamento Técnico sobre o uso de equipamentos de proteção respiratória (EPR) no ambiente de trabalho, a qual foi substituída pela Portaria MTP nº 672, de 8 de novembro de 2021. Apesar de desatualizada, a Instrução Normativa já citava a obrigatoriedade de implantação de um Programa de Proteção Respiratória em trabalhos onde está indicado o uso de respiradores. É também requerida a implantação de um Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional. 

Esperamos que tenham gostado e esperamos os seus comentários .

1 comentário em “Exposição a Vapores de Gasolina”

  1. Helder Silva dos Santos

    Essa explicação sobre a gasolina e o benzeno, deveria ser propagado com mais acentuação, proporcionando aos Técnicos e profissionais de Segurança do Trabalho melhor compreensão para elaboração de PGR, pois muitos não aguentam ouvir o nome de gasolina, que já sai enchendo o documento de químicos e mais químicos, em alguns casos desnecessariamente.

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