Exposição a Vapores em Atividades de Aplicação de Asfalto

Semana passada, escrevemos um pouco sobre os riscos da exposição a vapores de gasolina. Dando continuidade ao tema de exposição a vapores nocivos, nesta semana vamos falar de uma atividade que, provavelmente, você já tenha presenciado. Trata-se da aplicação de cobertura asfáltica para pavimentação de ruas e estradas.

Esse tipo de trabalho, muito importante para o conforto e a segurança na rodagem de nossos automóveis, expõe trabalhadores e a própria população a agentes químicos nocivos. Assim como a gasolina, o asfalto é composto por uma mistura de hidrocarbonetos extraídos do petróleo. Uma diferença fundamental está no fato de que o asfalto é composto pelo extrato mais pesado do petróleo. São hidrocarbonetos de cadeias longas, com grande número de carbonos.

Isso leva a uma composição muito heterogênea, quando comparada com a composição da gasolina, pois além dos hidrocarbonetos alifáticos, ou seja, de cadeias lineares, há uma grande contribuição de hidrocarbonetos cíclicos, aromáticos e compostos com enxofre na molécula. Entre os aromáticos, uma grande preocupação está relacionada com os policíclicos. São substâncias muito nocivas, alguns carcinogênicos confirmados para o ser humano. Provavelmente, você já tenha visto a sigla HPA, que significa Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos. Entre eles, destacam-se o benzo-α-pireno, naftaleno, antraceno etc.

Todo o processo de armazenagem, transporte e aplicação do asfalto é realizado a quente. É comum vermos uma nuvem acinzentada durante a aplicação desse produto. Essa nuvem contém misturas complexas de hidrocarbonetos não voláteis de elevada massa molecular, além de substâncias minerais e resíduo da destilação a vácuo do petróleo.

Os contaminantes gerados na aplicação do asfalto podem ficar suspensos no ar, como material particulado e misturados na forma de vapores. Há uma ampla variação na exposição dos trabalhadores que executam atividades próximas à aplicação da cobertura asfáltica. O nível de exposição e, consequentemente o risco à saúde do trabalhador, depende dos vários fatores que envolvem o processo:

  • Características químicas do asfalto. O asfalto é constituído por mistura de materiais derivados da destilação do petróleo. Há grande variação de sua composição, dependendo de sua origem.
  • Equipamento utilizado. Algumas máquinas utilizadas na aplicação de asfalto são cabinadas e o trabalhador fica em ambiente protegido, com pouca exposição aos agentes nocivos.
  • Local da aplicação. Locais fechados são muito mais perigosos que locais abertos e ventilados.
  • Condições meteorológicas. Nuvens baixas e falta de ventos podem concentrar os particulados e vapores presentes, aumentando a concentração na região próxima aos trabalhadores.
  • Atividades do trabalhador. Há atividades que exigem uma presença mais próxima da massa aplicada. Isso pode aumentar significativamente a exposição do trabalhador.

 A escolha dos respiradores adequados a cada atividade a ser realizada nessas operações deveria ser feita com base em avaliações quantitativas da exposição. Por todos os fatores acima mencionados, fica claro que esse tipo de avaliação é muito difícil de ser executado.

Muitas vezes, nós nos deparamos com situações em que não se utiliza qualquer proteção respiratória. Os respiradores filtrantes com peça semifacial e filtros combinados para vapores orgânicos e particulados são os mais utilizados. Essa proteção é a mais conveniente para o trabalhador, uma vez que permite sua mobilidade e é menos incômoda que um respirador facial. Para saber se esse tipo de proteção é suficiente, somente uma avaliação das concentrações dos agentes químicos nos ambientes laborais pode confirmar.

Os respiradores requerem cuidados especiais como limpeza, manutenção, substituição de filtros. O trabalhador que utiliza esses respiradores deve passar por exames médicos periódicos, receber treinamentos sobre uso e cuidados com os respiradores e deve ser submetido a ensaios de vedação facial. Esse conjunto de ações deve fazer parte de um Programa de Proteção Respiratória, que inclua responsabilidades, registros e auditorias.

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