Assim como as poeiras e névoas, os fumos são particulados em suspensão na atmosfera na forma de aerodispersóides, também conhecidos como aerossóis. A diferença fundamental entre os fumos e os outros aerodispersóides é o fato de serem formados pela condensação de vapores metálicos oriundos de metais aquecidos em temperaturas elevadas. Esse fenômeno ocorre em processos de fusão de metais e de soldagem.

Durante um processo de soldagem, a presença de fumos metálicos é evidenciada pela coloração azul acinzentado percebida quando a luz branca da solda impacta sobre as partículas em suspensão. Por serem de pequenas dimensões, essas partículas podem ficar em suspensão por horas, mesmo após o término do serviço realizado. Se não houver a incidência da luz branca, as partículas deixam de ser visualizadas.

Fumos de solda são muito comuns em processos industriais. Acredita-se que cerca de 2% da força de trabalho em países desenvolvidos se expõe a fumos de solda. Embora os tipos de soldagem sejam muitos, estima-se que a solda com eletrodo revestido e a solda MIG/MAG em aço-carbono, aço inoxidável e alumínio são executados por 70% dos soldadores.

A ACGIH® publicava um valor de TLV® para fumos de solda em seu livro contendo os valores e TLVs®, até o início dos anos 2000. O valor do limite de exposição ocupacional era de 5 mg/m3 para 8 horas de exposição diária, e era aplicado somente para elementos que não tinham valores adotados, especificamente. Com a introdução dos TLVs® para PNOS – Partículas (insolúveis ou de baixa solubilidade) não especificados de outra maneira, o valor do limite de exposição para PNOS passou a ser adotado também para fumos de solda não especificados entre os valores de limite de exposição adotados.

Os contaminantes atmosféricos gerados em um processo de soldagem estão relacionados com a composição da liga do material que é trabalhado e os consumíveis utilizados. São muitos os elementos e substâncias químicas presentes nesses contaminantes que possuem valores de TLVs® adotados. Entre eles destacam-se:

  • Zinco – Usado em grandes quantidades na fabricação de latão, metais galvanizados e várias outras ligas.
  • Cádmio – Usado frequentemente como preventivo de ferrugem, como revestimento em aço e como elemento de liga.
  • Berílio – Usado como elemento de liga com cobre e outros metais básicos.
  • Óxido de ferro – O Ferro é o principal elemento de liga na fabricação de aço.
  • Mercúrio – Compostos de mercúrio são usados ​​para revestir metais e evitar ferrugem ou inibir o crescimento de folhagem.
  • Chumbo – São gerados fumos de óxido de chumbo durante as operações de corte e soldagem em rolamentos contendo ligas de chumbo ou em metais revestidos com tinta à base de chumbo.
  • Fluoretos – Encontrados em revestimentos de muitos tipos de consumíveis usados ​​na soldagem.
  • Solventes de hidrocarbonetos clorados – Usado em desengraxantes.
  • Fosgênio – Formado pela decomposição de solventes contendo hidrocarbonetos clorados, atavés da ação da radiação ultravioleta.
  • Monóxido de carbono – Um gás geralmente formado pela combustão incompleta de vários combustíveis. Soldagem e corte podem produzir quantidades significativas de CO.
  • Ozônio – Produzido pela luz ultravioleta do arco de solda. O ozônio é produzido em maiores quantidades nas soldas TIG/MAG  e corte por arco plasma.
  • Óxidos de nitrogênio – Produzido por soldas TIG/MAG  e corte por arco de plasma. Quantidades ainda maiores são formadas se o gás de proteção contiver nitrogênio.

A proteção respiratória contra fumos de solda deve possuir filtros para particulados capazes de reter esses aerodispersóides finamente divididos, que estão em suspensão na atmosfera. Para isso, os filtros devem ser, no mínimo, da classe P2 ou PFF2. Podem ainda requerer filtros específicos para gasosos, como é o caso dos fluoretos, vapores de hidrocarbonetos clorados, monóxido de carbono, ozônio e óxidos de nitrogênio.

A seleção dos filtros e do tipo de cobertura respiratória a ser utilizada deve ainda levar em consideração as concentrações desses contaminantes no ambiente de trabalho. Um bom processo de avaliação e análise do risco é fundamental para essas definições.

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