A Proteção Respiratória deve caminhar junto com a Proteção Dérmica
Este artigo destaca um detalhe importante e frequentemente negligenciado, mas tão crítico quanto à proteção das vias respiratórias para a saúde e segurança do trabalhador e da trabalhadora: a absorção de contaminantes pela pele e mucosas.
Recentemente, identificamos uma não conformidade em uma empresa de médio porte que, apesar de possuir um sistema de proteção respiratória de excelência, permitia que os funcionários utilizassem vestimentas de algodão, que é um tecido permeável. Esta conduta pode expor os trabalhadores a substâncias perigosas que penetram no organismo pela via cutânea, evidenciando a falta de atenção à proteção dessa via de entrada.
Embora a utilização de agentes químicos nos ambientes industrial, laboratorial e doméstico seja indispensável ao desenvolvimento científico, tecnológico e produtivo, a exposição inadequada a essas substâncias, de forma isolada ou em misturas, constitui uma das principais ameaças à saúde, à segurança e à integridade física dos trabalhadores.
Para abrandar o risco de doenças ocupacionais e acidentes, torna-se imperativo que as organizações dominem e controlem o ambiente laboral. Importante ressaltar que a classificação destas substâncias com base nas suas propriedades perigosas funciona como uma ferramenta essencial para a gestão preventiva e para a promoção da saúde e do bem-estar dos profissionais.
Inúmeras substâncias químicas, com especial destaque para diversos solventes orgânicos e pesticidas, possuem a capacidade de atravessar a barreira lipídica da pele e dos olhos, atingindo o sistema circulatório, mesmo na ausência de feridas abertas. O contato direto com estes agentes, com frequência, provoca lesões locais severas, tais como irritações agudas, queimaduras químicas e dermatites de contato. Ultrapassadas essas barreiras, esses agentes químicos atingem a corrente sanguínea e causam seus efeitos tóxicos nos órgãos-alvo da mesma forma como ocorre quando são inalados.

É fundamental ressaltar que a seleção das proteções respiratória e dérmica deve ocorrer após o cumprimento rigoroso da hierarquia de controle de riscos. Isto significa que a empresa já realizou as etapas prévias: a eliminação ou remoção dos agentes químicos de risco no processo, a substituição por substâncias menos nocivas e a implementação de medidas de engenharia e de proteção coletiva, tais como sistemas de ventilação, isolamento de fontes e sinalização.
Adicionalmente, devem ter sido aplicadas medidas administrativas, incluindo a realização de treinamentos e a redução dos tempos de exposição. A adoção de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), como respiradores, luvas, óculos e vestuário adequado, representam a última barreira de defesa do trabalhador.
Concluindo…
A eficácia desta última barreira de defesa do trabalhador, o uso do EPI, depende da compreensão exata de todas as vias possíveis de penetração do agente químico no organismo humano. Não há benefício prático em implementar um sistema de proteção respiratória de alta performance se a vestimenta e as luvas negligenciarem a absorção pela pele devido a permeabilidade cutânea. A absorção de agentes químicos pela pele, mucosas e olhos é uma rota invisível, mas letal, capaz de causar bioacumulação, dermatites severas e até neoplasias.
Assim, a seleção dos EPIs deve ser feita de forma combinada e rigorosa: a proteção respiratória de excelência deve, obrigatoriamente, caminhar lado a lado com a proteção dérmica adequada às propriedades específicas de cada contaminante.
Na próxima semana vamos abordar o tema risco da exposição respiratória e dérmica. Até lá! Excelente semana!
