Ensaios de Vedação

Trabalhadores que utilizam respiradores com peças semifaciais, sejam elas com filtros recambiáveis ou semifaciais filtrantes, e trabalhadores que utilizam peças faciais inteiras devem ser submetidos a ensaios de vedação facial, antes do primeiro uso e periodicamente, ponto!

Isso tem uma explicação bem razoável. Os modelos desenvolvidos pelos fabricantes se adaptam a maioria dos trabalhadores e trabalhadoras, mas não se ajustam perfeitamente em todos os diferentes tipos de testa, nariz, maçãs do rosto, queixos, bochechas e mandíbulas. A única maneira de sabermos se a vedação está aceitável é realizando os ensaios de vedação.

Os ensaios de vedação foram desenvolvidos para assegurar que aquele trabalhador, especificamente, consegue atingir o nível de proteção atribuído na tabela de FPAs (Fatores de Proteção Atribuído) publicada pela FUNDACENTRO.

Eles seguem padrões e protocolos definidos por meio de testes de laboratórios, que permitem a reprodutividade dos resultados. Por essa razão, os ensaios devem ser conduzidos por profissionais que conhecem os equipamentos e os protocolos utilizados.

Os ensaios de vedação podem ser do tipo qualitativo ou quantitativo. No primeiro, os resultados são subjetivos e dependem da resposta do sujeito submetido ao ensaio. No segundo, existe sistema de medição específico, que independe da reação do trabalhador submetido ao ensaio.

Detalhes desses ensaios são encontrados no documento da FUNDACENTRO – Programa de Proteção Respiratória: Recomendações, Seleção e Uso de Respiradores.

Seguem aqui algumas observações importantes para a realização dos ensaios de vedação facial.

1. O ensaio qualitativo é mais rigoroso que o ensaio de vedação quantitativo, uma vez que a reação de percepção do gosto da substância pelo usuário pode acontecer em qualquer instante, enquanto no ensaio quantitativo, se uma pequena quantidade de particulados consegue penetrar num determinado instante e deixe de penetrar no instante seguinte, a média do vazamento facial pode estar dentro dos parâmetros do teste. 

2. Existe a possibilidade de o trabalhador submetido ao ensaio qualitativo não acusar a percepção do gosto da substância, de forma proposital ou por confundir o gosto da substância com outro sabor presente na boca. O bitrex é uma substância muito amarga e seu sabor é mais facilmente perceptível e inconfundível, comparado com o gosto da sacarina.

3. O protocolo dos ensaios qualitativos requer a introdução sistemática do agente de ensaio dentro do capuz para que se mantenha a concentração correta do agente de ensaio. Isso é feito por nebulizador padronizado e uso de uma pera de borracha para o processo de nebulização. O aperto dessas peras de forma seguida pode ser cansativo para o condutor do ensaio.

4. Quanto ao ensaio quantitativo por contagem do número de partículas dentro e fora do respirador, o condutor do ensaio deve ter familiaridade e profundo conhecimento da técnica. O equipamento exige alguns ajustes para serem obtidas quantidades mensuráveis dentro e fora da peça facial.

5. Os ensaios seguem protocolos extensos e cansativos, mas devem ser seguidos à risca. São constituídos por vários exercícios, perfazendo um tempo total superior a 10 minutos por teste. Não é permitida a alteração desses protocolos.

Assim, é muito importante que esses ensaios sejam realizados por pessoas que tenham conhecimentos sobre a importância do teste, tenha familiaridade com o equipamento utilizado e saiba conduzir o ensaio de acordo com o protocolo estabelecido.

Alguns trabalhadores ficam perturbados com o rigor dos protocolos e com a monotonia do processo. Cabe ao condutor do ensaio tornar isso menos cansativo, menos fatigante e fazer com que essas pessoas entendam a importância do teste e do uso correto do equipamento de proteção respiratória.

É importante que antes da realização do ensaio os trabalhadores sejam informados sobre o objetivo do ensaio que, além de ser um requisito normativo, assegura a efetividade da proteção oferecida pelo equipamento. Isso faz com que o tempo dedicado ao ensaio seja o menor possível. Os ensaios de vedação são boas oportunidades para reforço do treinamento no uso e cuidados com o respirador.

Na próxima semana, vamos apresentar um caso real sobre um condutor do ensaio que conseguiu identificar problemas na conduta do trabalhador e mostrar a importância do teste de vedação para o sucesso do programa de proteção respiratória.

1 comentário em “Ensaios de Vedação”

  1. DANIEL LOPES DE FREITAS

    Artigo muito bom, infezmente somente Grandes empresas elaboram PPR e fazem o teste de vedação(Fit teste )de forma correta.

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