Como falamos no nosso último artigo, em muitas atividades, o trabalhador está exposto a vários perigos ao mesmo tempo. Nem sempre a proteção coletiva é suficiente para minimizar o risco da exposição ocupacional a esses perigos, e o uso de vários EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), concomitante, é requerido.
Os EPIs conjugados, segundo a NR 06, são todos aqueles compostos por vários dispositivos associados para proteger o trabalhador contra todos os perigos identificados. Exemplos de EPIs que podem ser conjugados: capacete, protetor facial e protetor auditivo. Nem sempre essa combinação é perfeita.
Vamos ao caso. Uma grande metalúrgica era composta por várias células de produção, tornearia, fresas, usinagem, acabamentos etc. Na área destinada às fresas, havia barreiras do tipo tapumes de madeira para controle de partículas volantes lançadas da operação da fresa. O objetivo era evitar que essas partículas atingissem trabalhadores que estivessem de passagem ou exercendo atividades fora da área compreendida pelo setor. Essas partículas, na forma de limalhas, são cortantes e incandescentes.
Os fresadores e torneiros usavam EPIs conjugados (capacetes, protetores faciais com grau de escurecimento 5, protetores auditivos e respiradores semifaciais filtrantes do tipo PFF2/VO). Recebiam treinamentos sobre o uso dos equipamentos e cuidados com a vedação e eficácia deles. Eram sempre questionados sobre o conforto e adequabilidade do conjunto de EPIs utilizado.
Durante uma observação de segurança, motivada por problemas ergonômicos relacionados a postura dos trabalhadores frente a equipamentos que não haviam sido propriamente desenvolvidos para aquela população de trabalhadores, o profissional responsável pela área de segurança no trabalho usava o conjunto de EPIs especificado. Ele teve várias dificuldades para posicionar, vestir e acertar todos os equipamentos na sua própria face. Quando acertava a posição dos abafadores, prejudicava a vedação dos respiradores. Os capacetes também eram uma dificuldade, pois estavam conjugados com os abafadores. Todos esses problemas levaram o profissional a pensar que os trabalhadores também teriam as mesmas dificuldades.
Foi realizado uma pesquisa de opinião com os trabalhadores da célula onde ficavam as fresas e ficou evidenciado que a maioria dos colaboradores também tinham esses problemas. Os usuários de respiradores eram submetidos a ensaios de vedação qualitativo, porém não era seguida a recomendação de que utilizassem todos os EPIs durante o ensaio. Quando refizeram os testes, seguindo essa recomendação, vários trabalhadores não obtiveram o fator de vedação requerido para aquele equipamento de proteção respiratória.
Chamou a atenção do técnico de segurança o fato de que alguns trabalhadores tinham o hábito de levantar o protetor facial durante algumas atividades de trabalho, pois as lentes escurecidas atrapalham a visão. Para retornar o protetor em sua posição de trabalho, eles golpeavam a cabeça impulsionando o pescoço e, dessa forma, o protetor caía e ficava posicionado corretamente.
Uma outra observação veio de um fresador que já tinha sido atingido por uma limalha por ter esquecido de baixar o protetor facial. Ele disse que as hastes do abafador, que eram posicionadas atrás do pescoço para compatibilizar com o uso do capacete, incomodavam. Houve uma tentativa de uso de protetor de inserção do tipo espuma moldável, porém foi rechaçada pelo fato de o trabalhador precisar retirar e recolocar o protetor auditivo com uma certa frequência, para poder se comunicar. Os protetores auditivos do tipo espuma moldável têm que ser inseridos no canal auditivo e o usuário deve estar com as mãos limpas para roletar o material. Os trabalhadores do setor de fresa sujavam, frequentemente, as mãos óleos com e graxas.
Como se pode observar, o uso dos equipamentos conjugados requer muita atenção. Há grande variedade de tamanhos de cabeça e face. A percepção de conforto e adequação às atividades desenvolvidas, que muitas vezes requerem grandes esforços físicos do usuário, impõem treinamento e conscientização dos trabalhadores. Os supervisores, chefes e todos envolvidos com os trabalhos realizados deverão estar atentos a essas dificuldades.
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