O grau de toxicidade dos particulados não altera a eficiência da filtração.

Conforme informamos na semana passada, continuaremos tratando neste artigo do tema Filtros para Particulados utilizados em Equipamentos de Proteção Respiratória (EPRs).
Nos anos 1970 até o início dos 1990 o NIOSH (National Institute for Occupacional Safety and Health), instituto norte-americano responsável pelo ensaio e aprovação de filtros para uso em EPRs, entre outras atribuições, classificava os filtros para particulados nas seguintes categorias:
- DM (Dust and Mist)
Indicados para uso em EPRs utilizados para proteção do trabalhador da inalação de poeiras e névoas. - DMF (Dust, Mist and Fumes)
Indicados para uso em EPRs utilizados para proteção do trabalhador da inalação de poeiras, fumos e névoas. - HEPA (High Efficiency Particulate Air)
Indicados para uso em EPRs utilizados para proteção do trabalhador da inalação de particulados altamente tóxicos.
Os ensaios de laboratório utilizavam poeiras de sílica para teste dos filtros DM; fumos metálicos para teste dos filtros DMF e particulados altamente tóxicos para teste dos filtros HEPA. Os meios filtrantes eram, portanto, testados e classificados de acordo com seu uso pretendido. O meio filtrante somente e não o conjunto máscara e filtro.
Na Europa já se utilizava a classificação constante na norma ABNT1 e no documento da FUNDACENTRO – Recomendações, seleção e uso de Respiradores2. Nos anos 1980, havia muitas discussões sobre o uso de filtros para fibras de asbesto, consideradas altamente tóxicas. Sendo assim, somente filtros HEPA podiam ser utilizados.
Um estudo de WPF (Workplace Protection Factor ou Fator de Proteção no Ambiente de Trabalho) realizado por Don Gosselink3, cientista da 3M Company, apresentado no Congresso da AIHA em 1986 no Texas, trouxe um pouco mais de polêmica sobre o tema. Gosselink usou em seus estudos três tipos de EPR com diferentes classes de filtros:
- Peça semifacial filtrante, PFF com filtros DM
- Peça semifacial filtrante, PFF com filtro DMF
- Peça semifacial com filtro DMF
- Peça semifacial com filtro HEPA
- EPR motorizado “Loose Fitting” (capacete sem vedação facial) com filtros HEPA.
O estudo consistia em medir as concentrações de asbesto (amianto) presente no ambiente de trabalho e na parte interna da cobertura facial de cada um dos equipamentos avaliados. Os trabalhadores realizavam suas atividades cotidianas em uma indústria de sapatas de freios fabricadas com fibras de amianto.

Os resultados demonstraram que todos os equipamentos testados obtiveram Fator de Proteção significativamente maior que 10. As concentrações no interior das coberturas faciais em muitos equipamentos testados estavam abaixo do nível de detecção do método de ensaio utilizado pelo laboratório.
Não houve diferença significativa entre os resultados obtidos pelos equipamentos testados. Os EPRs do tipo PFF com filtro DMF e o EPR motorizado apresentaram melhor desempenho que o EPR semifacial com filtro HEPA. Segundo o autor, isso pode ter acontecido devido ao fato de os ambientes de trabalho nos locais onde esses equipamentos foram testados apresentarem maiores quantidades de fibras de asbesto no ar.
Em resumo, esse trabalho revela algo que temos afirmado frequentemente. O Nível de proteção oferecido pelas diferentes classes de filtros para particulados utilizados nos EPRs somente se diferenciam de acordo com as dimensões de particulados presentes.
Partículas acima de um ou dois microns, preponderantes em poeiras e névoas, são retidas igualmente por todas as três classes de filtro comercializadas (P1/PFF1; P2/PFF2 e; P3/PFF3). O grau de toxicidade dos particulados não altera a eficiência da filtração. Ou seja, para se obter maior nível de proteção é necessário utilizar um EPR com maior nível de FPA (Fator de Proteção Atribuído).
Na próxima semana teremos mais um artigo sobre o tema de filtros, desta vez focado em Filtros para Gases e Vapores. Excelente semana para você!
1 ABNT NBR 13697:2010 – Equipamento de Proteção Respiratória – Filtros para partículas.
2 Programa de Proteção Respiratória, recomendações, seleção e uso de respiradores.
3 WORKPLACE PROTECTION FACTOR FOR AIRBORNE ASBESTOS, Gosselink D.W.; Wimes D.P.; and Mullins H.E.
