Adequação do EPR à Tarefa – Frequência e Duração

A frequência e a duração da tarefa devem ser a primeira preocupação a ser levada em conta no processo de seleção do respirador mais apropriado para as atividades realizadas pelo trabalhador. PPR DA FUNDACENTRO

Assim como ocorre para avaliar o grau de risco de uma exposição ocupacional, a seleção do respirador também requer um profundo conhecimento das tarefas realizadas pelo trabalhador. A duração e frequência das tarefas afetam o conforto e podem provocar incômodos que diminuem o tempo de uso efetivo do equipamento de proteção respiratória (EPR) pelo trabalhador.

Alguns tipos de EPRs são afetados de forma significativa pelo tempo de uso. Nos itens abaixo, vamos abordar o impacto da duração e frequência das tarefas em diferentes tipos de EPRs.

Máscaras autônomas

As máscaras autônomas são os EPRs mais afetados pela duração da tarefa. Sua autonomia está relacionada à quantidade de ar contida no cilindro e ao tempo de uso do equipamento. Os cilindros são identificados pelo tempo de uso, por exemplo, cilindros de 5 minutos (cilindros de fuga) 30, 45 e 60 minutos.

Respiradores motorizados

Os respiradores motorizados também são muito impactados pelo tempo de uso. Quando utilizados com filtros para particulados, esses podem saturar e provocar resistência à passagem de ar, diminuindo a vazão de ar filtrado que chega dentro da cobertura facial. Quando utilizados com filtros para gases e vapores, o tempo de uso causa um impacto ainda mais drástico, pois o carvão ativado pode saturar e permitir a entrada de vapores em concentrações consideradas perigosas.

Peças faciais e semifaciais com filtros para gases e vapores

Os filtros para gases e vapores são classificados conforme o tempo de rompimento do filtro em testes de laboratório. Para a realização desses ensaios é criada uma atmosfera com alta concentração (1000 ppm para os cartuchos da classe 1) de um vapor orgânico (ciclohexano – C6H12 ou tetracloreto de carbono – CCl4) ou de um gás ácido (cloro – Cl2 ou dióxido de enxofre – SO2).

O tempo de vida útil mínimo esperado nas condições se ensaio (fluxo de 30 litros por minuto) varia de 80 minutos para o CCl4 a 20 minutos para o cloro ou SO2. Portanto, fica claro que o tempo de uso é um fator muito importante na seleção e uso de filtros para gases e vapores utilizados em EPRs com peças semifaciais e faciais inteiras.

Peças faciais e semifaciais com filtros para particulados

A eficiência dos filtros para particulados não é tão impactada pelo tempo de uso como ocorre nos filtros para gases e vapores. A saturação e excesso de umidade podem causar aumento da resistência à respiração e, com isso, um aumento do desconforto causado pelo uso do equipamento. Esses efeitos são mais perceptíveis em filtros de maior eficiência e para alguns contaminantes atmosféricos, como é o caso dos fumos metálicos.

Peças Faciais Filtrantes (PFF)

Esses são os EPRs mais recomendados para uso intensivo. As PFFs possuem uma ampla área de filtragem, o que permite uma menor resistência à respiração, e como são leves causam menor desconforto ao usuário. Outro detalhe importante das PFFs é que possuem uma estrutura física menos resistente e devem ser trocadas frequentemente. Isso faz com que o impacto da saturação do meio filtrante seja imperceptível pelo usuário.

As PPFs com válvula de exalação são ainda mais confortáveis, pois permitem uma saída mais natural do ar exalado, mantendo a temperatura interna na cobertura respiratória mais próxima da temperatura ambiente e evitando o entupimento precoce do meio filtrante causado pela umidade do ar exalado.

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