Um Caso de Limpeza de EPRs

Sabemos das dificuldades que envolvem a implementação de um plano de limpeza e higienização de respiradores, principalmente quando isso envolve os usuários. Não queremos dizer que eles não colaborem, mas ao final do turno de trabalho eles precisam realizar muitas atividades. Entre elas, destacamos a comunicação com os colegas que chegam para iniciar um novo turno, a guarda das ferramentas e ou equipamentos, limpeza da área, banho com troca de roupa e o deslocamento até o ponto do transporte, que pode ser distante. Além de tudo isso, teriam que limpar, verificar, lavar e verificar os respiradores, assegurando que estejam em bom estado, para poderem ser utilizados na próxima jornada.  

O administrador do PPR (Programa de Proteção Respiratória) deve realizar atividades para conscientizar os líderes, supervisores e encarregados sobre a importância desses processos para que se consiga a boa manutenção e higienização dos respiradores. Importante ressaltar que o turno de trabalho deve ser programado de forma que haja tempo suficiente para essas atividades. Por sua vez, o profissional de Segurança do Trabalho deve elaborar os procedimentos para realizar a limpeza e guarda dos equipamentos, manter as estações de limpeza abastecidas com materiais necessários para a higienização e disponibilizar local apropriado para a guarda dos EPRs, após limpos.

Agora, vamos ao caso desta semana.

Em uma empresa do ramo petroquímico, o administrador do PPR decidiu terceirizar os serviços de limpeza e manutenção de respiradores, uma vez que foram realizadas diversas tentativas de se fazer esse trabalho com os próprios usuários e não obtiveram sucesso. O problema percebido foi conciliar o tempo destinado a esses serviços com as outras atribuições dos trabalhadores e o deslocamento até a portaria para pegar o transporte de retorno para suas casas. Inicialmente, o administrador visitou a estrutura da prestadora de serviços e gostou do que lhe foi apresentado. Os respiradores do tipo peça semifacial e facial inteira seriam retirados do almoxarifado pela empresa terceira, ao final do turno, e entregues limpos e embalados individualmente, para serem reutilizados. Cada equipamento era marcado com o nome do usuário que iria utilizá-lo no seu próximo turno.

Três meses após o início desses serviços, começou a campanha anual dos ensaios de vedação na empresa. Os ensaios eram do tipo quantitativo, realizados por uma empresa contratada. Muitos usuários foram reprovados nos ensaios, mesmo os que já utilizavam respiradores e que haviam se submetido anteriormente a ensaio de vedação quantitativo com os mesmos tipos de respiradores. Aparentemente, os respiradores estavam em perfeito estado de uso. No período entre um e outro ensaio, o condutor dos ensaios resolveu desmontar uma máscara do tipo facial inteira que havia sido reprovada no teste.

Analisando o equipamento, notou-se que os diafragmas das válvulas de inalação e de exalação não eram originais, não correspondiam aos originais ou aos fornecidos pelo fabricante como peça de reposição. Eram imitações grosseiras daquelas membranas, com indícios de que foram cortadas manualmente. No outro dia, retornando à realização dos ensaios, o condutor notou que uma outra máscara, também reprovada, possuía os mesmos pedaços de borracha como diafragmas de válvulas. Os diafragmas haviam sido confeccionados com borracha de câmeras de pneus de bicicleta.

Foi realizada investigação sobre o ocorrido. Esses diafragmas haviam sido substituídos, pois durante o procedimento de lavagem, as escovas constituídas por cerdas duras rompiam as membranas dos diafragmas. O fornecedor dos serviços de limpeza e manutenção improvisou e substituiu aquelas peças originais por adaptações. Isso contribuiu para o resultado negativo no ensaio de vedação.

Fica a lição e aprendizado. Mesmo entendendo que não houve má fé do fornecedor de serviços, e sim falta de conhecimento técnico, a atitude poderia ter comprometido todo o Programa de Proteção Respiratória e a saúde dos trabalhadores que utilizam tais equipamentos.

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