Os respiradores selecionados devem permitir que os trabalhadores com problemas de visão possam utilizar o equipamento com adaptadores para lentes corretivas e devem ser aprovados por uma entidade própria para aprovação de respiradores.
Princípios de Boas Práticas – AIHA/ABHO
Dando continuidade ao tema Princípios de Boas Práticas (PBP) em Higiene Ocupacional (HO) – Programa de Proteção Respiratória (PPR), o artigo desta semana aborda a seleção de respiradores, mais especificamente o cuidado com o tipo de cobertura facial para os trabalhadores que utilizam lentes corretivas e o sistema de aprovação dos Equipamentos de Proteção Respiratória (EPR).

Para isso, utilizaremos como referência a norma ISO/TS16975-1.
O uso de óculos com lentes corretivas para visão pode interferir na proteção oferecida por muitos tipos de EPR. Quando forem necessários, eles devem ter um desenho compatível com o EPR utilizado. Podem estar disponíveis óculos (como acessório do fabricante) que se encaixam completamente dentro da cobertura facial sem romper a vedação. Alternativamente, pode-se selecionar um EPR que permita o uso de óculos com lentes corretivas, como capuzes e capacetes. Recomenda-se contatar o fabricante do equipamento.
A norma 1910.134 (g)(1)(ii) da OSHA (Occupational Safety and Health Administration) tem um texto muito parecido e requer que o empregador garanta que o equipamento seja utilizado de maneira que não interfira na selagem entre a peça facial e a face do usuário.
Texto semelhante encontramos no documento da FUNDACENTRO, intitulado Programa de Proteção Respiratória – Recomendações, seleção e uso de respiradores.
Esse problema é mais acentuado no uso de peças faciais inteiras, que cobrem os olhos, além da boca e o nariz, e o uso dos óculos com haste sobre as orelhas pode quebrar a selagem na face do usuário do respirador. Os EPRs com peças semifaciais também podem ser afetados pelo uso de óculos com lentes corretivas, principalmente aqueles que são utilizados sob óculos de proteção para gases e vapores. Nesses casos, pode ser mais conveniente utilizar peças faciais inteiras.
Sobre o uso de lentes de contato, a norma ISO/TS16975-1, traz o seguinte texto:
As lentes de contato podem ser usadas quando o usuário já tenha utilizado lentes de contato antes e praticado o uso delas com o EPR selecionado. Deve-se avaliar seu uso com o EPR.
Um fator importante a ser analisado no uso de lentes de contato está relacionado às condições de umidade do ar ou calor no ambiente de trabalho, pois podem afetar o uso das lentes.
O documento da FUNDACENTRO, aqui mencionado, restringe o uso de lentes de contato por soldadores e pessoas que circulam nas proximidades da área de soldagem. As lentes gelatinosas, com alto teor de água, podem absorver vapores de produtos químicos. E um corpo estranho pode se alojar sob a lente, com o aumento do perigo de irritação física e pode ocorrer dificuldade na lavagem ocular, quando for necessário.
Como requisito geral a todos os Equipamentos de Proteção Individual (EPI), os EPRs devem ser aprovados no Brasil pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Existem várias normas internacionais às quais os EPRs precisam ser submetidos para a aprovação do seu uso. No Brasil, há uma série de normas ABNT. Os requisitos normativos são parecidos, sendo mais restritivos em alguns países.
Um grupo de especialistas em proteção respiratória se reúne periodicamente para discussões sobre normas para seleção, usos e cuidados com os EPRs. Esse grupo realiza este trabalho como normas ISO, abreviação para International Organization for Standardization (Organização Internacional para Padronização). O Brasil é representado por especialistas indicados pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).
Um problema enfrentado em nosso país é a falta de laboratórios capacitados para realizar ensaios referentes a todos os requisitos definidos nas normas locais e internacionais. Há falta de recursos tanto em equipamentos como pessoal. Nesses casos, recorre-se ao fabricante ou a aprovações internacionais.
Um organismo de referência nesta área é o NIOSH (National Institute for Occupational Safety and Health) nos Estados Unidos, o qual tem passado por profunda reestruturação nos últimos anos. O HSE (Health and Safety Executive) na Inglaterra é outra referência importante.
Esperamos que esse artigo tenha sido útil para o seu trabalho e empresa. Na próxima semana daremos continuidade ao tema Boas Práticas para Seleção de EPRs com o terceiro artigo sobre este ponto. Excelente semana e até lá!
Manual de Princípios de Boas Práticas AIHA/ABHO
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