Pelos Faciais e Vedação de Respiradores

No artigo anterior escrevemos sobre vedação facial. Ao final do artigo, mencionamos sobre a interferência da barba na selagem do respirador sobre a face. Neste artigo vamos discorrer sobre os pelos faciais, que incluem as barbas.

O documento da FUNDACENTRO, que define como deve ser um PPR – Programa de Proteção Respiratória, no item 4.4.2 – Adequação do respirador ao usuário, estabelece o seguinte:

Pelos Faciais: Um respirador com peça facial*, seja de pressão positiva ou negativa, não deve ser usado por pessoas cujos pelos faciais (barba, bigode, costeletas ou cabelos) possam interferir no funcionamento das válvulas ou prejudicar a vedação na área de contato com o rosto.

Deste texto depreende que qualquer pelo na face do usuário pode interferir na vedação ou no funcionamento da válvula de exalação. Cabe ao profissional que realiza o ensaio de vedação, ou ao profissional responsável pela condução do monitoramento de uso de respiradores, verificar se essa condição existe. A barba é constituída por pelos faciais que certamente prejudicam a vedação, por estar presente na área de contato entre a peça facial e a pele do rosto do usuário. Existe consenso sobre isso. O trabalhador deverá estar barbeado todas as vezes que utilizar uma peça facial inteira ou semifacial.

A dúvida fica por conta dos outros pelos faciais citados no item 4.4.2. No Anexo 8 do mesmo documento da FUNDACENTRO, que trata de Avaliação médica de trabalhadores candidatos à utilização de respiradores – Anexo Normativo – há a seguinte definição:

Pelos faciais: a barba impede um ajuste facial adequado. Eventualmente, bigodes e costeletas podem ser compatíveis com um bom ajuste facial, desde que não interfiram na selagem e no funcionamento das válvulas do respirador.

Em seu Anexo 11 – Procedimentos para a realização dos “ensaios de vedação” qualitativos e quantitativos, também normativo, há a seguinte determinação:

O ensaio de vedação não deve ser feito com usuários que apresentem pelos faciais crescidos como barba, barba por fazer, bigode longo ou costeletas que estejam na zona de selagem da peça facial com o rosto ou interfiram no funcionamento das válvulas. Qualquer tipo de adereço (por exemplo, joias) que interfira na vedação deve ser alterado ou removido.

E por fim, o livro Manual de Proteção Respiratória escrito pelos professores Maurício Torloni e Antônio Vladimir Vieira traz a seguinte recomendação:

Uso de barba, bigodes longos, costeletas que atinjam a zona de vedação ou a válvula de exalação, uso de óculos com hastes que interfira na posição dos tirantes, protetores faciais, gorros, capacetes etc. são condições que impedem uma boa selagem e podem influir na seleção do tipo de cobertura das vias respiratórias.

Vamos agora passar para a abrangência internacional. O PPR e a questão da vedação facial pautada no documento da FUNDACENTRO, após ações e discussões ocorridas no âmbito do CB-32 (Comitê Brasileiro de Equipamentos de Proteção Individual) da ABNT, foram fortemente influenciados pelos requisitos da OSHA (órgão norte americano responsável pelas ações governamentais para segurança e saúde do trabalhador) e recomendações do NIOSH (instituto de segurança e saúde do trabalhador, também dos Estados Unidos). Vamos, então, discorrer sobre como essa agência governamental e esse instituto têm tratado esse tema, ultimamente.

As duas organizações criaram padrões visuais para definir o que é permitido e o que é proibido em termos de pelos faciais. Seguem, abaixo, os dois padrões.

O NIOSH limitou-se às peças semifaciais filtrantes, máscaras descartáveis. Isso ocorreu, em função de várias discussões que aconteceram no âmbito dos profissionais da área de saúde, diante da necessidade de uso desse tipo de equipamento de proteção respiratória para proteção contra o vírus da Covid-19:

A OSHA possui uma recomendação que abrange os dois tipos peças faciais, semifaciais e faciais inteiras e tem força normativa nos Estados Unidos.

Pelo que vimos nos dois quadros acima, nos requisitos normativos brasileiros e nas recomendações do livro técnico escrito pelos professores Torloni e Vladimir há grande convergência no trato desse tema entre todos. Bigodes e costeletas bem aparados, que evitam a região de vedação das peças faciais, são aceitos. Bigodes, que não sejam demasiadamente grandes e cavanhaques bem aparados também são aceitos. Proibidos são barbas, bigodes longos, costeletas longas e cavanhaques que cubram a região do queixo.

No próximo artigo, vamos discorrer sobre ensaios de vedação facial.

*Peça Facial refere-se a Peça Semifacial Filtrante (PFF), Peça Semifacial e Peça Facial Inteira.

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