O atendimento a emergências químicas talvez seja o evento que mais depende da proteção oferecida por um Equipamento de Proteção Respiratória. Em muitos casos, o EPR é a única barreira disponível para a proteção da saúde e da vida desses profissionais.
As operações de resposta a emergências são eventos extremamente dinâmicos e de ritmo acelerado, geralmente envolvendo várias dezenas a milhares de funcionários de resposta e suporte. Os desafios enfrentados por um higienista industrial podem ser extremamente difíceis em auxiliar o coordenador de segurança do comando de incidentes a caracterizar as várias operações, seus perigos, e os riscos de exposição ou lesões.
Uma Estratégia para Avaliar e Gerenciar Exposições Ocupacionais, 4a. Edição, AIHA.
Esta definição constante do capítulo sobre Aplicação do Modelo de Avaliação da Exposição à Resposta a Emergências do livro da AIHA (American Industrial Hygiene Association) define claramente a dificuldade que tem um profissional de saúde e segurança no trabalho para implementar os controles necessários para operações de atendimento a emergências.
O atendimento a emergências químicas talvez seja o evento que mais depende da proteção oferecida por um Equipamento de Proteção Respiratória (EPR). Em muitos casos, o EPR é a única barreira disponível para a proteção da saúde e da vida desses profissionais.
Isso basta para entendermos que o nível de proteção oferecida e garantida pelo EPR deva ser o maior possível. Por isso, podemos encerrar esse artigo afirmando que somente uma máscara autônoma operada sob demanda com pressão positiva poderá ser utilizada nesses eventos. Porém, não é bem assim.
Essa publicação da AIHA nos ensina como criar uma estratégia de avaliação das exposições dos trabalhadores que atendem a essas emergências, considerando que há pouca ou nenhuma informação sobre as contaminações presentes no local do atendimento.
Os trabalhadores atendentes são divididos em grupos e cada um deles se constitui em um GES (Grupo de Exposições Similares) com estimativas de excedências das exposições em relação ao LEO (Limite de Exposição Ocupacional).
A partir dessas informações é possível selecionar o tipo de EPR a ser oferecido a cada um desses grupos. Os grupos são definidos pelo tipo de atividade que realizam, por exemplo, se irá fazer busca/resgate ou se é o grupo de profissionais que oferece amparo ao atendimento, como policiais, agentes do governo ou profissionais que dão orientação aos combatentes de um incêndio ou vazamentos gasosos.
Outra importante definição do grupo de exposição similar está relacionada a quais materiais perigosos podem estar presentes: inflamáveis, explosivos, tóxicos, pressurizados etc. Lembrando que todo este cenário deve fazer parte de um planejamento de respostas a emergências da empresa e de um plano de atendimento elaborados antes do acontecimento.
Um outro aspecto importante das emergências está relacionado às pessoas que não estão envolvidas com o atendimento, mas precisam fugir do local onde ocorre o evento. Para esses também pode ser necessário o uso de um EPR. Existem equipamentos próprios para fuga, como é o caso do cilindro para escape associado a respiradores do tipo linha de ar comprimido.

Os trabalhadores que utilizam um EPR com ar mandado ficam presos a uma fonte de ar limpo entregue por um compressor ou cilindros pressurizados posicionados fora do local contaminado. No caso de uma emergência, esses trabalhadores necessitam se proteger para que cheguem até um local seguro. O cilindro é portado pelo trabalhador e possibilita que ele chegue de forma segura até um local protegido, distante do evento.
Existem ainda os bocais com pinças nasais, que são carregados pelo trabalhador e utilizados em caso de emergências. Da mesma forma como são utilizados os cilindros de fuga, essas máscaras permitem que o trabalhador chegue até um local seguro respirando através dessa mascarilha com um filtro apropriado àquela emergência.
Um engano muito comum é considerar que somente as máscaras de fuga podem ser utilizadas para escape. Na verdade, as máscaras de fuga são limitadas em relação aos respiradores convencionais, pois elas não podem ser utilizadas para entrar em uma área contaminada, ao passo que respiradores convencionais do tipo peças semifaciais ou faciais inteiras podem ser utilizados para entrada e fuga de área contaminada.
A propósito, idealmente, todas as vezes que o trabalhador estiver realizando uma operação na qual há a possibilidade de vazamento de material perigoso no ar, ele deve estar protegido por um respirador adequado àquela possível emissão atmosférica. É possível que ele possa retirar o respirador durante a fuga, após ter corrigido o problema relacionado à emissão do contaminante atmosférico.
Respiradores para fuga também são utilizados para visitantes em muitas plantas industriais. Os dois tipos de EPRs citados acima, semifaciais e bocal com pinça nasal, ambos com filtros para gases, vapores e particulados são utilizados para esse fim.
No caso de peças semifaciais, elas necessitam vedação facial. Muitas vezes, os equipamentos são disponibilizados aos visitantes sem a realização do ensaio de vedação facial e sem qualquer preocupação com o tamanho, com o uso de barbas pelo portador etc.
As máscaras de fuga do tipo bocal com pinça nasal são entregues dentro de um invólucro hermeticamente fechado e, muitas vezes, difícil de abrir. Em uma fuga de uma área contaminada, o visitante não tem tempo a perder, ele tem que se preocupar com a fuga. A embalagem da máscara pode criar dificuldades e perda de tempo, colocando a sua vida e sua saúde em risco.

Com esse artigo, encerramos a série e o tema Seleção de EPRs. Foram publicados 30 artigos semanais explorando todo o processo de seleção, incluindo a adequação do EPR ao perigo, à tarefa, ao usuário e ao ambiente de trabalho. Exploramos também o processo de seleção para o uso rotineiro, para espaços confinados, para situações IPVS, para emergências e fuga.
Todos os artigos estão disponíveis em nosso website. Esperamos que eles tenham sido úteis para o desenvolvimento do seu trabalho com EPRs. Obrigado por nos seguir, fazer parte da nossa comunidade de profissionais PPR DESCOMPLICADO e compartilhar as informações e conhecimentos divulgados em nossos artigos. Um grande abraço.
- AIHA. Associação Americana de Higiene Industrial
