Capacitação de Profissionais Condutores de Ensaios de Vedação Facial

No artigo publicado semana passada citamos um programa para certificação de profissionais que realizam ensaios de vedação qualitativo e quantitativo existente na Inglaterra.

O artigo provocou vários comentários, por isso acreditamos ser oportuno dar continuidade a esse assunto.

O desempenho de respiradores que utilizam peças faciais ou semifaciais depende da obtenção de um bom contato entre a pele do usuário e a borda dessas peças faciais. Os rostos das pessoas variam significativamente em forma e tamanho, sendo improvável que um modelo ou tamanho específico de Equipamento de Proteção Respiratória (EPR) obtenha ajuste adequado em todas as faces. A vedação inadequada reduzirá significativamente a proteção fornecida ao usuário. Qualquer redução na proteção pode levar a danos imediatos, problemas de saúde a longo prazo ou até mesmo colocar a vida do usuário do EPR em perigo.

Exemplos de EPRs que requerem vedação facial
Fonte: HSE – Guidance on Respiratory Protective Equipment (RPE) Fit Testing

A única maneira de se comprovar que uma peça facial ou semifacial se ajusta adequadamente na face de um indivíduo é fazendo uso do ensaio de vedação facial. Os ensaios seguem protocolos definidos para produzirem resultados compatíveis e reprodutíveis.

Existe uma grande preocupação com relação à competência e os procedimentos executados pelos condutores desses ensaios.

No documento da FUNDACENTRO, citado inúmeras vezes nos artigos semanais, base para todos os procedimentos e atividades do Programa de Proteção Respiratória (PPR), estão especificados os requisitos para treinamento desses profissionais (7.2.4 – Treinamento para o Condutor do Ensaio de Vedação).

Porém, não há uma definição de como se obter essa capacitação. Alguns fabricantes de EPRs e fornecedores de equipamentos para a realização dos ensaios possuem treinamentos específicos para esses profissionais. A oferta desses treinamentos é bem limitada e é observada a falta de interesse dos profissionais de saúde e segurança em obter essa capacitação.

O programa Fit2Fit citado no artigo anterior trata sobre esse tipo de capacitação e acreditação profissional. O curso é baseado em documento publicado pelo HSE (Health and Safety Executive), órgão governamental destinado aos temas relacionados à segurança e a saúde do trabalhador na Inglaterra.

O documento do HSE serviu de base para o documento da FUNDACENTRO. Muitos dos requisitos ali mencionados estão também relacionados no documento da FUNDACENTRO. O ponto de partida para a implantação de um sistema parecido no Brasil seria uma comparação entre os dois documentos e a verificação se todos os elementos estão presentes na normativa brasileira.

Em um segundo momento, há de se escolher como será o processo de capacitação. Na Inglaterra, a capacitação é feita por empresas e/ou profissionais credenciados pela BSIF (British Safety Industry Federation). A ANIMASEG (Associação Nacional da Indústria de Material de Segurança e Proteção ao Trabalho) seria o organismo mais parecido com o BSIF no Brasil.

E, finalmente, há de se definir um grupo de profissionais capacitados para realizar o credenciamento de outros profissionais. Isso pode ser conseguido por simples nomeação de profissionais com notório saber em proteção respiratória e práticas em ensaios de vedação.

Uma alternativa seria continuarmos realizando os treinamentos realizados pelos fabricantes e distribuidores de respiradores e equipamentos para ensaios de vedação, porém de uma forma oficial e reconhecido por uma instituição de governo ou associação de profissionais.

Vale lembrar que os equipamentos de proteção respiratória representam a última barreira entre os agentes nocivos e a exposição inalatória do trabalhador a esses contaminantes presentes no ambiente de trabalho. Por isso, se falharem, o programa de gerenciamento e controle desses riscos, em geral, e o Programa de Proteção Respiratória, especificamente, também irão falhar. O resultado dessas falhas pode ser uma doença ocupacional que traga graves prejuízos para a empresa, ao trabalhador e para a sua família.

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