Vamos iniciar nesta semana, uma série de artigos tratando do tema vedação facial.

A vedação facial é fundamental para garantir a efetividade da proteção oferecida por respiradores que utilizam peças semifaciais ou faciais inteiras. Uma das maneiras de classificar um equipamento de proteção respiratória está relacionada a forma como o ar chega à zona respiratória do usuário. Ele pode chegar com pressão negativa ou pressão positiva. Na primeira, é criada uma pressão levemente negativa no interior da peça. Na segunda, o ar é forçado a passar pelo filtro através de uma ventoinha motorizada, ou pressurizado por um compressor ou cilindro de ar comprimido. Essa é uma diferença importante entre os dois tipos de EPRs, em vários aspectos.

Vamos destacar três aspectos importantes:

1. A proteção oferecida pelos respiradores de pressão positiva é superior. Na tabela de Fatores de Proteção Atribuídos, FPAs, publicada pela FUNDACENTRO, os respiradores com pressão positiva possuem FPA dez vezes superior ao FPA dos respiradores de pressão negativa. No caso da máscara autônoma, essa diferença chega a ser cem vezes maior.

    2. Segundo, o fato de a pressão interna ser positiva, permite o uso de coberturas faciais sem vedação facial, como capuzes e capacetes para proteção respiratória. As peças semifaciais e faciais inteiras requerem vedação facial, mesmo em sistemas com pressão positiva.

    3. Terceiro, pode ser mais cômodo para o usuário e permite o uso de barbas, nos casos de capuzes e capacetes.

    Quando se utiliza um respirador filtrante, o ar contaminado deve ser forçado a passar pelo meio filtrante. Durante a fase de inalação, através do esforço do usuário do respirador, é criada uma pressão levemente negativa no interior da cobertura facial. Isso força a entrada do ar. Nos respiradores motorizados, isso se dá através da ventoinha motorizada existente nesse tipo de equipamento de proteção respiratória. Se a peça tiver qualquer defeito ou não vedar adequadamente na face do usuário, o ar contaminado pode entrar sem passar pelo meio filtrante. Em outras palavras, o trabalhador vai inalar ar contaminado, que pode ser nocivo à sua saúde.

    A integridade da cobertura facial e dos filtros são atributos de responsabilidade dos fabricantes de EPRs. Para isso, realizam ensaios de laboratório. Após o uso e/ou realização de serviços de manutenção, pode ocorrer falhas no equipamento. Por isso a importância de se fazer as verificações de integridade e conformidade dos respiradores diariamente, e durante os ensaios de vedação facial.

    Os ensaios de vedação facial devem ser realizados quando o trabalhador começa utilizar o equipamento, anualmente, ou no caso de o trabalhador ganhar ou perder muito peso, ou sofrer qualquer alteração na face ou na arcada dentária. A vedação deve ser checada diariamente, durante a colocação do respirador na face. Essas atribuições são de total responsabilidade da empresa que utiliza os respiradores.

    Existem alguns fatores que podem afetar a vedação facial e prejudicar a proteção oferecida pelo EPR. Entre eles, o mais comum, é o uso de barbas pelos usuários de respiradores. Os pelos faciais interferem no assentamento da peça sobre a pele da face do usuário. Isso faz com que ocorra falhas na vedação, permitindo a passagem de ar contaminado por essa região.

    No próximo artigo, vamos falar sobre o efeito das barbas na vedação facial.

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